Dicas

Não sabe por onde começar? Pois aqui vão algumas dicas sobre o que aprendemos ao longo desses anos de blog (e vida) sobre cozinha, horta e alguns livros com conteúdo incrível!

  • Guia antidesastre na cozinha
    Eu e o fogão não temos uma super intimidade, o que pode ser estranho para uma pessoa que tem um blog de comida. Mas essa é a verdade. Nunca fiz curso de gastronomia, nem trabalhei em restaurantes. Minha bagagem paneleira veio de leituras, observação, experiências, e das entrevistas quando era repórter de gastronomia.                     A cara e os utensílios são bem amadores, não se engane!                           Minha cozinha é, sobretudo, bastante amadora. Eu faço questão de lembrar isso sempre porque muita gente acredita que precisa estudar, cozinhar por anos, ou fazer cursos pra conseguir transformar uns ingredientes em comida boa. Mas não.  Se eu, que volta e meia ainda queimo arroz, que há pouco tempo não sabia a diferença entre coentro e salsinha, consigo, qualquer um na fila do pão é capaz também. Mas é claro que não dá pra sair fazendo qualquer coisa. Sem nenhum tipo de informação você vai fazer coisas abomináveis como cozinhar um espaguete na água fria! hahahaha Então não espere um momento de grande inspiração ou maratonar todos os episódios do Masterchef pra ir pra cozinha. Esse momento mágico não vai chegar. Se quiser um incentivo a mais, aí vai: fazer a sua própria comida não significa apenas mais saúde e maior proximidade com a produção dos alimentos. Preparar as suas próprias refeições significa dizer não às sacanagens da industria! Sacanagens ao colocarem no ar comerciais enganosos, na escolha de insumos de péssima qualidade, milho sempre transgênico, altas doses de gorduras, chuva de conservantes e informações desencontradas nos rótulos.  Então, se eu puder te dar uma dica, anota aí: não terceirize a responsabilidade pelo que entra no seu estômago! 🙂  E “por onde começar?” é uma uma pergunta que recebo todos os dias no Instagram. São mensagens de gente preocupada com o que anda comendo, mas totalmente perdida na frente do fogão. É bolo embatumado, feijão sem gosto, brócolis molenga, arroz empapado. Então, a pedidos, dediquei minhas últimas semanas a pensar em como estruturar esse guia antifracasso culinário. E cheguei a essas conclusões aí embaixo.  Não são dicas profissionais, mas pontos que me ajudaram a evitar grandes desastres. Aliás, grande parte desses aprendizados aí eu adquiri depois de muitas cagadas! hahaha Partiu? Algumas informações aí de baixo foram tiradas desse livro! TRANQUEIRAS NECESSÁRIAS Alguns instrumentos nos ajudam a economizar tempo e a transformar qualquer coisa em comida. Pra isso acontecer, não precisa de fritadeira elétrica, sanduicheira, máquina de pão e um conjunto de panelas que custa mais do que o seu aluguel. A necessidade dos eletrodomésticos depende de cada um, da sua rotina e gostos. Fique a vontade! 🙂 Eu fiz uma listinha apenas com o essencial, na minha humilde opinião, pra começar a cozinhar: →Frigideira antiaderente: pra fazer panquecas, batapiocas, arepas, omelete de feijão, grelhar legumes, etc. Não esqueça: se for de teflon não dá pra usar depois de arranhada, hein? É perigoso por conta das toxinas que esse material solta! As frigideiras de cerâmica costumam demorar mais pra esquentar, é importante saber disso. Se ela tiver riscada, não importa o material, tem grandes chances da sua receita grudar no fundo! Cuide bem da sua frigideira! →Panelas: não preciso explicar esse item, né? →Panela de pressão: muita gente não vê necessidade, mas eu acho que economiza gás e bastante tempo na cozinha. Costumo usar pra feijões, mandioca e pra risotos a jato.  →Liquidificador: admiro muito quem consegue viver sem um. Pra mim, é impossível. Uso pra engrossar sopas, fazer leite de coco, suco, vitamina, patês… →Ralador grande e pequeno: o grande serve pra ralar batata, mandioca, cenoura. O pequeno pra raspas de limão, laranja, noz moscada.  →Faca boa e afiada: não dá pra fazer milagre sem uma faca decente. →Cumbucas grandes e pequenas: pra separar os ingredientes na hora do preparo, pra preparar molhos ou misturar massas de tortas e bolos. →Colher de silicone que possa ir ao fogo: são ótimas pra raspar o que foi batido no liquidificador, de forma que não desperdice nada, e servem pra mexer caldos, brigadeiro…  →Tábua: eu uso de madeira, por mais que não seja recomendada pela galera da engenharia de alimentos. Sou apegada e odeio tábuas de acrílico. Costumo passar água fervente e colocar no sol pra secar 1 vez por semana.  →Assadeiras: Eu não vivo sem forno também. Adoro tortas, bolos e legumes assados. Pra isso, precisamos de assadeiras. Eu tenho duas retangulares pra preparações gerais e uma de furo no meio pra bolos.  COMO LIDAR COM AS GORDURAS O maior cuidado que precisamos ter com as gorduras é não queimá-las. Por isso, nunca aqueça a frigideira com óleo ou azeite dentro. Ligue o fogo, espere o fundo da panela esquentar e só aí acrescente a gordura. Pra frituras, use sempre o fogo baixo e não reaproveite o mesmo óleo mais de 2 vezes. Tem dúvidas sobre a função de cada tipo de óleo? Espia esse post antigão aqui do blog. Outra dica importante é: alguns pratos precisam de muita oleosidade pra ficarem saborosos, como a farofa. Não tem como reduzir a quantidade de gordura. Então o jeito é comer com moderação mesmo.  O DESAFIO DE MANIPULAR O CALOR Sabendo administrar o fogo, dá pra deixar o feijão branco tostadinho, sem desmanchar.  Pra mim, o maior desafio dos cozinheiros amadores é entender o tempo de calor das coisas: por quanto tempo assa e em qual temperatura, por quanto tempo grelha, cozinha, refoga, defuma. Eu mesma apanho do calor o tempo todo! Por isso, minha regra de sobrevivência é: antes cru, porque dá pra consertar, do que passado ou queimado.  E outra coisa que não podemos esquecer: o tempo de preparo da Rita Lobo ou dos livros de receitas nunca será o mesmo da sua casa. Porque o tamanho do forno influencia, se ele é elétrico ou a gás, se a boca do fogão é grande ou pequena, além do tipo de assadeira ou panela. Saber controlar o tempo de preparo das coisas em casa é uma tarefa que só a experiência nos traz.  Aqui também está um dos maiores motivos de problemas no preparo das famosas arepas de milho do blog. Muuuuuuita gente tentar virar a panquequinha antes do tempo, quando a massa ainda está molenga, o que faz a bonita se despedaçar toda! A mesma regra vale pras batapiocas ou panquecas no geral: abaixa o fogo e espera ficar bem tostadinho no fundo antes de virar. O segredo é a paciência! 🙂 O QUE PRECISAMOS SABER SOBRE ERVAS E TEMPEROS Primeira coisa: que não dá pra viver sem eles. Comida sem tempero é uma ofensa à diversidade de aromas e sabores que a natureza colocou a nossa disposição. Já tem um post do blog bem explicadinho sobre quais temperos combinam com quais vegetais. Espia aqui. E nesse outro post tem informações sobre os benefícios de cada um pra nossa saúde.  Mas vem mais dica por aqui. Já experimentou dar uma grelhadinha nos temperos com azeite antes de acrescentar outros ingredientes? Não deixa de investir nisso! Uma refogadinha em folhas de sálvia ou louro, num ramo de alecrim ou manjericão, ou em sementes de coentro ou cominho deixam qualquer comida muito mais aromática e saborosa. Isso acontece porque o calor desperta os cheiros e sabores das ervas e especiarias. 🙂 Só cuida pra não queimá-las, viu? Vai amargar a comida! Gosto de fazer isso com sementes e ervas frescas. Já as versões em pó de temperos eu gosto de usar depois de incluir outros ingredientes.  COMO EXALTAR AS FRUTAS Poucas coisas simples são tão saborosas como uma banana grelhada! Ok! Nada como se fartar de frutas frescas do jeito que elas vieram ao mundo. Mas, sei que muita gente tem dificuldades ou preguiça de consumi-las. Eu, por exemplo, me entupo de melancia, abacaxi e manga feito uma morta de fome nos meses mais calorentos. Por outro lado, reduzo o consumo em 800% durante o outono e o inverno. Não sei explicar, a vontade apenas reduz mesmo. Só tenho desejo por coisas quentinhas. No café da manhã, então, até no verão eu perco a vontade de frutas. Acho que o corpo ainda tá despertando e precisa de carinhos e aconchegos morninhos.  Mas já resolvi essa questão aqui em casa com uma ferramenta maravilhosa chamada calor! Sim, se você nunca grelhou ou assou frutas não sei o que anda fazendo da sua vida. Banana, maçã, caju e abacaxi, então, parece que foram feitas pra isso. Gosto de fazer na frigideira, com os pedaços cortados em cubos ou fatias, um tico de azeite ou óleo de girassol. Douro dos dois lados até os pedaços ficarem escurinhos. Às vezes salpico um pouco de canela em pó, noz moscada, coco ralado ou flambo na cachaça. Já a pera, o pêssego, a ameixa e o caqui prefiro fazer no forno com uma colher de açúcar mascavo por cima e suco de 1 laranja.  Esse processo funciona bem com as frutas mais “cremosas”. Morango, maracujá, tangerina, laranja, acerola, pitanga, uva e jabuticaba não! Elas encaixam melhor em geleias ou doces. Aliás, não deixa de usar esse artifício pras frutas maduras, hein? Nada de desperdício. Tem milhares de receitas de compotas e geleias na internet! O processo é quase sempre o mesmo: fogo baixo, açúcar e paciência.  Aliás, tem uma diversidade imensa de frutas que rendem ótimos pratos ou molhos salgados. Já pensou em fazer um vinagrete de carambola ou um chutney de manga? COLOQUE OS LEGUMES E VERDURAS NUM PEDESTAL O dia que você refogar as arvorezinhas do brócolis no alho com um pouco de molho shoyu e acertar o ponto, deixando as bonitonas crocantes, mas cozidas ao mesmo tempo, já pode chamar Jesus e avisar que a missão da sua vida foi cumprida. Pra mim, um cozinheiro só ganha respeito quando acerta o ponto do brócolis. E olha, poucos vegetais são tão saborosos quanto um brócolis na textura certa, viu? Eu poderia viver apenas disso. Já o repolho, não tem erro. Pode ser consumido cru ou só precisa de uns minutos de refogado. Ele também fica maravilhoso com “aromas” orientais: óleo de gergelim torrado, tahine, amendoim, pimentas, gotas de limão.  As cenouras podem ser cortadas em fatias grossas, cozidas por alguns minutos na água, depois finalizadas na frigideira com um tiquinho de óleo e sal. Antes de servir, despeje umas gotas de suco de laranja! Cenoura e laranja se amam sempre, não só no suco! Pode confiar. As beterrabas não costumam roubar meu coração. Mas insisto. Coloco no risoto, no recheio de tortas ou faço conservas com bastante vinagre, gengibre e sementes de coentro.  A berinjela eu sou suspeita pra falar. Sem ela, sou tipo Bochecha sem Claudinho. Rola de empanar na farinha de mandioca e assar ou fritar, grelhar em rodelas ou fatias. O céu é o limite. E, se você tiver poucos minutos pra preparar uma refeição, corte uma abobrinha em rodelas, despeje as queridas numa frigideira untada com óleo de girassol e doure dos dois lados até estarem bem cozidas. Assim que desligar o fogo, jogue suco de 1 limão por cima das rodelas, sal e umas folhas de hortelã fresca. Poucos legumes alcançam esse nível de maravilhosidade em tão pouco tempo, de forma tão simples.  Chuchu eu gosto de colocar na sopa ou fazer picles. Tem receita no Instagram. Quiabo fica um sonho sem baba grelhado no forno com raspas de limão e seu amigo jiló alcança um nível divino quando grelhado ao molho de melado e vinagre balsâmico.  Em resumo, não existe legume ou verdura ruim. Eles só foram mal preparados mesmo. Vamo deixar de jogar tudo na panela com água, porque de falta de vergonha na cara já basta esse novo governo, e passar a colocar o reino vegetal num pedestal. Ah! Tem uma informação preciosa pra evitar desastres no preparo dos legumes. Cada um tem o seu tempo de cozimento. Então não dá pra assar ou cozinhar beterraba e brócolis juntos. No geral, as raízes e tubérculos precisam de mais tempo do que…
  • Reinventar o restê dontê
    Ao contrário do que muita gente pensa, trabalhar de casa continua sendo trabalhar. E como uma usuária desse sistema de emprego moderno, eu vivo em busca de estratégias pra usar o meu tempo de forma sensata. Um dos desafios é a cozinha. Por questões econômicas e de saúde, minhas refeições são todas feitas em casa. Só como em restaurante quando tô na rua e não tenho outra opção.  Só que preparar café da manhã, almoço, lanche e janta todos os dias em casa dá trabalho e requer um tempo imenso. E ainda não posso me dar ao luxo de passar o dia apenas na cozinha, o que acredito que iria me aborrecer bastante também. Uma hora a gente não aguenta mais ver cebola na frente nem sujar louça.  Pra economizar tempo, eu e Lucio nos revezamos. Em geral, quem fez o almoço não faz a janta. Mas além do compartilhamento de tarefas, há milhões de outras estratégias que nos ajudam a agilizar as comidas aqui em casa. Uma delas é fazer alguns preparos básicos em grande quantidade pra semana toda, como arroz e feijão. Só que aí tem um problema: a frescura de não aguentar comer a mesma coisa todo santo dia. Inclusive é saudável comer comida fresca e variada, né?  Nosso lema, então, é reinventar novos pratos com o arroz e o feijão da geladeira. E esse é o post de hoje. Vou resumir, em detalhes, o que faço com os restos desses dois ingredientes aqui em casa.  Mas antes, não custa lembrar, pare imediatamente de jogar comida fora. Primeiro porque é dinheiro jogado no ralo. Segundo porque é mais lixo pro aterro sanitário. Terceiro que é uma questão ética, né? Uma parte bem considerável da humanidade passa fome. Então o mínimo que você precisa fazer, já que tem comida na mesa, é usufruir ao máximo e agradecer por isso.  Aliás, saber recriar pratos a base de sobras é uma das habilidades que respeito muito nas pessoas. Tô de saco cheio desses programas de culinária que desperdiçam horrores de ingredientes e não dão dicas pra ajudar a gente a reaproveitar as sobras. Esses programas amam xingar as tias amadoras por não saberem fazer um empratamento refinado, mas não valoriza o potencial delas de aproveitar aquele arroz de ontem como ninguém.  E é claro, se você tem pavor de comida requentada, mesmo se tiver novos sabores e texturas, dê o seu jeito de comprar menos e cozinhar em menor quantidade, assim você evita o desperdício.  Vamos lá.  Sobras de feijão Croquetes de feijão com molho de pimenta As sobras de leguminosas cozidas, como os feijões, exigem um tiquinho de cuidado por causa da umidade do caldo. Por mais que a gente escorra beeeeem, será praticamente inevitável usar algum tipo de farinha em novas refeições. Já tive a proeza de fazer hambúrguer de feijão preto e batatas sem farinha. Mas só depois de deixar a massa no congelador por uns 30 minutos. Apenas escorri bem o feijão cozido e já temperado, misturei com um purê de batatas bem amassado e acrescentei cheiro verde (ou outras ervas aromáticas). Um pouco mais de sal, um tipinho de páprica defumada e massa pronta. Aí deixo no congelador pra massa ficar mais fácil de modelar. E pronto. Basta fazer o formato desejado e levar ao forno, ou frigideira bem quente untada com azeite ou fritar por imersão.  Se optar pelos bolinhos, há um segredo pra deixar as casquinhas mais crocantes: empanar. Nessa versão da foto, empanei os croquetes com farinha de mandioca. Mas poderia ser farinha de trigo, arroz, de rosca ou linhaça. Cada uma vai deixar a receita com uma textura e sabor diferente, mas todas dignas de comer lambendo os beiços.  Pra essa receita da foto, eu usei 1 xícara de arroz, 1/2 xícara de feijão bem escorrido, bastante manjericão picado, 1 colher de café de molho de mostarda (desses industrializados) e 2 colheres de sopa de farinha de trigo. Misturei tudo com as mãos, modelei a massa em formato de croquete, empanei na farinha de mandioca e levei no forno (com fogo alto) por 20 minutos. Na metade do tempo de forno, virei os croquetes pra ficarem crocantes em cima e embaixo.  Mas também dá pra fazer coisas mais simples com feijão de ontem. Em Santa Catarina a gente usa muito farinha de mandioca pra fazer pirão. E pirão de feijão é uma das melhores coisas do mundo. Basta ferver o feijão bem temperadinho (com alho, cominho, louro, pimentas) e acrescentar farinha de mandioca na panela até alcançar a textura desejada. Ah! Alguns lugares do Brasil chamam isso de tutu.  E se quiser algo mais saboroso ainda, também rola de fazer bolinhas com essa massa e fritar. E já temos outra receita: bolinhos de feijão. Confesso que já usei até dendê pra fritar e ficou uma delícia inexplicável.  Sobras de arroz Hambúrguer de arroz de ontem com temperinhos Arroz puro já é o suficiente pra dar textura em bolinhos e hambúrgueres. Se estiver bem sequinho talvez nem exija alguma farinha para dar liga. Então aqui em casa os restos de arroz sempre viram essas duas possibilidades.  Pro tradicional bolinho de arroz eu só misturo qualquer tipo de arroz (em geral em torno de 1 xícara), cenoura ralada (1 cenoura média), 1 cebola crua bem picadinha, sal e cheiro verde a gosto. Faço bolinhas. Se a massa tiver difícil de dar o ponto, acrescento um tiquinho de farinha de trigo até conseguir fazer bolinhas com a mão. Coloquei farinha demais? Basta acertar a receita com um pouco de água. Pra modelar a massa com facilidade, a dica é molhar as mãos com água. E pronto. Aí é só levar ao forno pré-aquecido até ficar sequinho por fora ou fritar. Mas confesso que a melhor versão dessa receita é feita no formato de hambúrguer, grelhado na frigideira com um pouco de azeite.  Também dá pra variar a receita e acrescentar outros legumes em vez da cenoura, como berinjela defumada, ou beterraba ralada, batata cozida e amassada, pedacinhos de tomate seco, ou até rechear com algum patê. Uma dica importante é não usar vegetais que soltam muita água, que vai atrapalhar a liga do bolinho, como tomate, chuchu ou abobrinha.  E outra saída maravilhosa pro arroz de uns dias atrás é usá-lo em recheios. Pode ser pra rechear pimentão, tomate, abobrinha ou folhas de couve, uva ou repolho.  No caso dos legumes, é só fazer um corte neles crus, temperar com sal, pimenta do reino e azeite e tacar o arroz dentro. No caso das folhas, precisa cozinhá-las antes por 2 minutos pra amolecerem. Depois é só rechear e levar ao forno ou cozinhar na panela com molho de tomate.  A minha musa inspiradora Sandra Guimarães, do blog Papa Capim, também tem um post sobre como reciclar sobras de comida. Nele, a rainha dá dicas ótimas de como transformar restos em uma espécie de paella. Espia aqui. E este blog que vos fala também tem receita de empadinhas recheadas com sobras da geladeira. Espia aqui.  E para outras dicas de como agilizar a vida na cozinha, espia esse post também.  Cozinha saudável é cozinha sem desperdício. 
  • A sutil arte de refogar matos
    Comecemos com um pedido de desculpas. Houve uma certa ausência de novos posts por aqui. Só criei vergonha nas fuças mesmo porque hoje, dia 19 de agosto, o blog do Comida Saudável pra Todos completa 1 ano.  Admito que tá bem mais divertido do que imaginava e dá bem mais trabalho do que imaginava. Então tô dando uma freada (sabe quando a onda do mar vem e a gente tenta não ser derrubada?) pras coisas aconteceram como devem ser: bem feitas e bem pensadas.  Tenho recebido alguns convites para dar oficinas e palestras pelo Brasil. Parece um pouco assustador, mas já vivi coisas como dar aula ouvindo tiros de fuzil ou ser mulher e andar à noite em ruas pouco movimentadas. Pensando nisso, tenho aceitado os convites.  Também tão rolando uns convites de marcas para fazer publicidade. Rolam uns convites pra divulgação de evento ou produto em troca de coisas (chocolate, torrada…), quando deveriam pagar em dinheiro, tendo em vista que publicidade é trabalho. Acho uma grande sacanagem e me recuso.  Também rolaram uns convites de umas marcas que vendem umas coisas que me recuso a colocar na boca e me recuso a recomendar que os outros coloquem. Continuo pobre, porém com dignidade.  Enfim. Vou aproveitar a onda de sinceridade pra admitir que tem outro motivo pro meu sumiço por aqui: tô de saco cheio de receitas. Passo horas procurando inspirações e, quando vou cozinhar, não sigo uma só instrução. Na verdade, tenho cozinhado e comido coisas cada vez mais simples, que não exigem porções exatas de nada.  Baseada nessa fase rebelde, trago a dica deste post, que é a minha mais nova obsessão na cozinha: refogar matos. Fiz aniversário no mês passado e ganhei um guia de identificação de PANCs (plantas alimentícias não convencionais) e desde então tenho saído na rua, feito uma louca, querendo colocar tudo o que é verde pra dentro do estômago. Como ainda me resta um pingo de bom senso, vou aos poucos, pra saber direito o que tô comendo.  Mas, ao contrário da galera que defende a comida crua, eu sou do time que aplaude a descoberta do fogo e prefere assar, grelhar, saltear e refogar tudo, até alface. E quem me fez pensar nessa ideia maravilhosa de comer salada quente foram os livros sobre sobre medicina chinesa.  Os chineses acreditam que o corpo digere melhor as comidas quentinhas. E também tem o fato de que, quando refogamos, as folhas verdes murcham horroooores, o que faz com que a gente acabe comendo em mais quantidade. Por exemplo: se for comer uma salada, ninguém come mais do que 5 folhas de rúcula, certo? Agora, quando refogada na panela, dá pra comer um maço inteiro. Eu, inclusive, já comi uma acelga inteira sozinha, salteada com alho, pimenta e gengibre.  De qualquer forma, mesmo que você seja um adorador da salada crua, não custa variar o consumo, né? Até pra não enjoar mesmo.  Ando tão viciada nesse tipo de comida que faço até de lanche da tarde às vezes. hahahaha Pode zoar. Vontade é vontade. Não tô de dieta. Não tô compensado algo que comi ontem. Apenas tenho desejo de mato refogado, faço e lambo os beiços. É uma comida leve, quentinha, que entra no estômago como se fosse um carinho. Recomendo! Em geral, as folhas verdes têm o amargo como sabor predominante. Segundo a terapeuta ayurvédica Laura Pires, no livro Nutrindo os sentidos, esses alimentos amargos são ótimos pra quem tem facilidade de ganhar peso, colesterol alto e retenção de líquido. Achei maravilhoso saber disso.  Mas vou dar algumas dicas importantes antes de tudo: ⠂Não é todo mundo que gosta ou está acostumado com o sabor amargo. Se for o seu caso, não esqueça de acrescentar umas gotinhas de limão no final do preparo das folhas refogadas.  ⠂Se ainda assim achar muito amargo, recomendo adicionar uma colherzinha de melado de cana (mel de engenho) no refogado. ⠂E a rainha das dicas é: rapidez no preparo. Não pode deixar as folhas murchando por horas. É coisa muito rápida. Assim que murcharem um pouco, espera 2 minutos e pronto. Já desliga e já serve.  Vamos à receita. Ingredientes pra esse refogado da foto (serve 4 pessoas) ⠂1 maço de almeirão  ⠂1/2 pé de alface  ⠂folhas a gosto de ora pro nobis ou outra PANC ⠂tomate cereja a gosto ou 1 cenoura ralada ⠂4 dentes de alho picadinhos ⠂1 colher de chá de gengibre fresco picado ⠂1/2 limão espremido ⠂sal ou gersal (sal de gergelim/receita no Instagram) Observação: Pode brincar com os temperos. O importante é sempre começar com alho e finalizar com limão. Pode jogar pimenta dedo de moça picadinha, vinagre balsâmico, pimenta rosa, cebola, alho poró, orégano. Também adoro finalizar com cebolinha picada, mas dessa vez não tinha, ou gergelim. Pra turma que ama uma crocância, é um sonho imenso finalizar com sementes de girassol torradas.  Observação 2: em vez do almeirão e do alface, pode fazer com rúcula, espinafre, agrião, taioba, escarola, acelga, mostarda, chicória, capuchinha, bertalha, serralha, folhas de cenoura, folhas de beterraba ou rabanete… Como eu fiz ⠂Refoguei o alho e o gengibre no azeite.  ⠂Enquanto isso, piquei as folhas como se fossem couve. ⠂Joguei as folhas picadas na panela. ⠂Joguei o tomate cereja cortado ao meio ⠂Misturei tudo com uma colher e tampei. ⠂Esperei 2 minutos e desliguei o fogo. ⠂Finalizei com o gersal e as gotas de limão.  Nessa outra versão, usei acelga + repolho roxo + cenoura ralada + ora pro nobis e finalizei com gergelim. 
  • Os leites vegetais mais baratos
    Sempre fui bezerra. Mamei até os dois anos, cresci tomando toneladas de leite de caixinha com nescau e, quando cheguei na vida adulta, me achava a musa fit tomando leite desnatado com toddy light. Só que leite de caixinha não é leite. É uma água com coisas. E mesmo se o leite for orgânico, vindo de uma vaca criada solta na Dinamarca, ele ainda é inflamatório e piora muito o quadro de quem sofre com as “ites”: sinusite, rinite, faringite, além das alergias como um todo e da acne. O nosso intestino também não foi feito pra digerir o leite. E ainda tem a questão da vaca, que não deveria ser escravizada pra nos servir, certo?  Por mais que as vacas só tenham chegado no Brasil com os colonizadores europeus, é inegável que o leite já faz parte da cultura gastronômica brasileira. E você não precisa esquecer todas as receitas de pudins, bolos e lasanhas que trazem lembranças maravilhosas, basta adaptá-las a versões com leites vegetais.  Os mais saborosos do mundo, sem dúvida, são aqueles feitos a base de castanhas, de caju principalmente. Mas não cabem no meu orçamento, o que acredito que deva acontecer também pra maior parte da população brasileira.  Por isso, vou citar aqui as opções mais baratas: de coco, arroz, amendoim, inhame, aveia, gergelim e semente de girassol. Você pode misturá-los entre si também e ir criando o seu preferido. Aqui em Floripa tem cafeteria que mistura leite de amêndoas com semente de girassol pra baratear o preço, por exemplo.  Um aviso importante: não existe um tipo leite vegetal que substitui perfeitamente o leite de vaca em todas as receitas. Cada um é mais adequado pra um tipo específico de preparação, como explico no fim desse texto. O leite de gergelim rende um molho branco sublime, mas ficaria intragável num brigadeiro. Entende? O leite da foto é o de inhame, uma das opções mais baratas.  Como fazer Em geral, a medida que uso é a universal: 1 xícara da base que escolher com 4 xícaras de água. A quantidade de água é que vai medir a cremosidade do leite. Vá adaptando ao seu gosto. Pra fazer molho branco pra macarrão, por exemplo, eu reduzo um pouco a quantidade de água pro creme ficar mais grosso. Se usar água quente, teremos um leite mais encorpado. ⠂Leite de coco – o melhor de todos 1. Basta bater no liquidificador 1 xícara de coco ralado fresco ou coco desidratado sem açúcar com 4 xícaras de água filtrada. 2. Aí é só coar com uma peneira ou voal e o leite tá pronto! Não esqueça de guardar o resíduo. Pra mim, essa é, de longe, a melhor versão de leite vegetal.  Dica: Se você tem dificuldade de abrir o coco seco, espia esse vídeo. Quando o coco seco tá muito caro, compro os flocos a granel mesmo.  Não esqueça de conferir se é sem açúcar, adoçantes e conservantes, tá? ⠂Leite de arroz 1. É só cozinhar 1 xícara de arroz de sua preferência normalmente, mas sem sal, e bater no liquidificador em 2 etapas, pra não transbordar e sujar tudo.  2. Primeiro, bata metade do arroz com 2 xícaras de água, coe e reserve.  3. Aí bata a outra metade com mais 2 xícaras de água filtrada, coe e pronto. Guarde o resíduo. Tem gente que faz com arroz cru, eu já testei e não gostei muito. Acho que fica ralo demais.  Dica: qualquer leite a base de grãos, como arroz ou aveia, vai render um líquido mais grosso do que as outras opções. Se você bater muito tempo no liquidificador, vai engrossar demais e virar um mingau. É coisa rápida, bem menos de 1 minuto, ok?  ⠂Leite de amendoim  Você pode fazer o leite com o amendoim cozido, cru ou torrado, desde que sempre sem sal e sem casca ou pele, ok? Já fiz com amendoim torrado e com pele, mas não fica branquinho e achei o gosto meio amargo.  1. Nas 3 possibilidades, é bom deixar essa leguminosa de molho por pelo menos 8 horas, depois descartar essa água. Lembra que o amendoim é da família do feijão? Tem que reduzir os fitatos pra facilitar a digestão e absorver melhor os nutrientes. Na dúvida sobre qual opção escolher, comece pelo leite de amendoim torrado, ideal pra receitas doces: cobertura de bolo, leite condensado, tomar com vitaminas, café ou achocolatado.  2. Basta bater 1 xícara do amendoim com 4 xícaras de água filtrada. 3. Coar e reservar o resíduo. O amendoim cru tem um sabor bem mais neutro, fica parecido com o de arroz. Rende uma ricota maravilhosa também. E o leite a base de amendoim cozido fica mais encorpado, e é ideal pra molhos brancos, cremes, receitas salgadas no geral.  ⠂Leite de inhame 1. Basta cozinhar o inhame com casca no vapor e tirar a casca com as mãos depois que esfriar. Se cozinhar na água, o inhame vai soltar aquela baba, que nem todo mundo gosta. 2. E bater 1 xícara de inhame com 4 xícaras de água filtrada. É uma das minhas opções preferidas porque não gera resíduo. Dá pra fazer com inhame cru também, mas pode causar coceira nas mãos ou na boca por conta do oxalato de cálcio, uma substância presente em muitos vegetais. Eu nunca tive esse problema, mas tem gente que tem. Se quiser saber mais sobre esse assunto, espia esse post da diva Sonia Hirsch.  ⠂Leite de gergelim ou semente de girassol  – rico em proteínas 1. Mesma coisa que o amendoim: tem que deixar de molho por 4 horas, pelo menos, pra neutralizar os fitatos. Não é obrigatório (quando esqueço, eu faço assim mesmo), mas é melhor deixar, tá?Não esqueça de descartar a água do demolho.  2. Mesma coisa dos outros: bater 1 xícara dos grãos com 4 xícaras de água.  3. Coar e armazenar o resíduo.  ⠂Leite de aveia 1. Deixe de molho por pelo menos 4 horas e descarte essa água depois.  2. Bata 1 xícara de aveia (flocos pequenos, médios ou grossos) com 4 xícaras de água filtrada. Para um creme BEM grosso, pra fazer brigadeiro, por exemplo, ou pra gratinar coisas no forno, não precisa nem coar. Para um leite normal, é melhor coar.  3. Reservar o resíduo.  Como armazenar Todos os leites vegetais devem ser guardados numa jarra com tampa na geladeira. Duram de 3 a 5 dias. Depois de um tempo refrigerado, o líquido vai se separando, principalmente no caso dos leites mais gordurosos, como de amendoim e coco. Não se assuste. Não está estragado. Basta mexer, pra misturar bem, antes de consumir.  Como esquentar Quanto mais gordura tiver no ingrediente que será a base do leite, maior o risco de talhar ao aquecer. Então não é uma boa ideia ferver o leite de coco, gergelim e amendoim, por exemplo. Esquente um pouco na panela e desligue o fogo bem antes de começar o processo de fervura. Os leites de aveia e arroz, mais ricos em carboidratos, aguentam melhor o calor, mas vão virar minguau se esquentar muito. O de inhame, não sei por qual motivo, fica mais ralo quando aquecido. Também não é bom ferver.  Onde usar Tem gente que gosta de congelar leite vegetal. Não recomendo, acho que muda muito a textura.  ⠂Bebidas: Pra beber com café, achocolatado (receita aqui), ovomaltine caseiro (aqui) ou fazer vitaminas, o de coco é o melhor disparaaaaaaaaado. O leite de amendoim torrado combina muito também. O de arroz é super neutro e não vai deixar gosto estranho no café. Pra vitaminas, também gosto de usar o leite de aveia, que ajuda a engrossar. O leite de coco e de amendoim rendem aquela espuminha maravilhosa pra fazer cappuccino. Basta esquentá-los um pouco ou bater com água quente no liquidificador na hora de fazer o leite.  ⠂Ricota: Os leites de amendoim (qualquer versão), gergelim, semente de girassol e coco rendem ótimas ricotas. Basta aquecer o leite, talhar com limão e coar com um voal. Mais detalhes, nesse post. Também dá pra fazer ricota de tofu com leite de soja. Receita aqui.  ⠂Receitas doces: Leite de aveia, de arroz, de coco  e de amendoim torrado são boas bases para leite condensado (receita aqui) e docinhos no geral (aqui). Além de todos esses, o leite de inhame também é ótimo para bolos, tanto na massa quanto na cobertura.  ⠂Receitas salgadas: Leite de gergelim e semente de girassol são meus preferidos para substituir o famoso creme bechamel ou creme de leite em receitas. O de aveia também é uma boa opção, apesar de não ser tão saboroso. Pro estrogonofe (receita aqui), que precisa de um sabor mais neutro, a aveia é o meu preferido.  O que fazer com o resíduo Todos eles podem ser guardados na geladeira por até 1 semana e congelados por cerca de 3 meses. ⠂Farinha: O resíduo do leite de coco e amendoim rende uma boa farinha para bolos ou granolas. Basta espalhar bem numa assadeira e assar no fogo baixo, até ficar sequinho, sem queimar. Em bolos, essas farinhas substituem bem a farinha de aveia, por exemplo. Não podem ser colocadas no lugar da farinha de trigo, porque não possuem glúten e vão atrapalhar a estrutura do bolo.  ⠂Bolos ou cookies: Se tiver com pressa, nem precisa torrar os resíduos do leite de coco e amendoim pra fazer farinha. Pode colocá-los direto em novas receitas doces. Nesse link, tem uma preparação maravilhosa de bolachinhas com o resíduo do leite de coco.  ⠂Farofa: O resíduo do leite de amendoim, gergelim e semente de girassol pode ser refogado com cebola pra fazer farofa. Você pode usar a farinha de mandioca também ou não. Aí é só temperar a gosto: fica bom com azeitona ou cenoura ralada, cheiro verde… ⠂Base para massa de tortas e hambúrgueres: O resíduo do leite de aveia ou arroz é menos versátil, de aspecto mais “estranho”. Por isso, gosto de usá-los onde eles passam despercebidos, como bolinhos assados ou massa de hambúrguer. Lembra de espremer bem o líquido do leite na hora de coar, pro resíduo não ficar encharcado, o que pode prejudicar a estrutura das novas receitas. Pra fazer bolinhos, basta misturar os resíduos com as sobras da geladeira: feijão (sem o caldo), cenoura ralada, bastante cheiro verde e assar. Se tiver muito farelento, é preciso acrescentar um pouco de farinha de trigo.  ⠂Patês: O resíduo do leite de gergelim e semente de girassol rende pastinhas saborosas. Por serem um pouco amargos por natureza, é bom usar limão pra temperar o patê, o que ajuda a neutralizar esse sabor. Com azeitonas ficam divinos, manjericão e pimenta rosa também. Use o que tiver em casa com uma dose de criatividade.  Observação: nenhum leite vegetal substitui o leite materno, ok? Para dúvidas sobre as propriedades nutricionais de cada opção, consulte um nutricionista.