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Patê aveludado de amendoim – R$ 6,12

Quase infartei quando a Bruna me contou que tinha adentrado oficialmente no veganismo. Primeiro, porque nós duas talvez fôssemos do bonde mais picanheiro da faculdade de jornalismo. Eu nunca escondi isso aqui, né? Minha vida sempre se resumiu a despejar carne vermelha no prato se existisse a oportunidade. Bruna também.

O doido é que não sei o quanto isso era do nosso gosto mesmo ou o lance do status de comer a carne mais cara quando dava ou porque nós duas sempre tivemos uma tendência à anemia e pressão baixa. Acho que no fundo é um pouco de cada coisa, né? E não dá pra negar a pressão familiar (e de médicos também) pra você atochar carne no sangue como forma de evitar/tratar anemia, coisa que a ciência já desmistificou.

Enfim. Além disso tudo, eu e Bruna temos mais mil coisas em comum: o CEP da infância e adolescência muito próximo, o quarto dividido em dois apartamentos no Rio de Janeiro pós faculdade, a fissura por Gilmore Girls, a admiração por Paulo Freire, uma busca intensa pela concretização do verbo “descolonizar”.

E o que me surpreendeu mais ainda é que a Bruna virou vegana exatamente quando tava vivendo quase dentro da floresta amazônica, numa casinha cheia de aranhas peludas em Alter do Chão, no Pará. Foi lá, na beira do rio Tapajós, que ela conheceu um cozinheiro paraense muito querido, o Roger. A gente (eu e o Roger) só se viu uma única vez e, pra minha vergonha, numa pizzaria, porque só existe opção de comida vegetal em hamburgueria e pizzaria nesse fim de mundo catarinense. E nesse dia do encontro, em que aprovei oficialmente o namoro, ganhei uma semente de puxuri (especiaria que nunca mais consegui viver sem) do casal e um potinho com um creme branco bem cremoso, que Bruna chamou de “queijinho de amendoim que o Roger inventou”.

Roger não é vegano, e também não namora mais a Bruna agora (tá colocando um tiquinho de comida do Pará no prato dos portugueses, na cidade de Porto), mas como entende das panelas, minha deusa! Quando eu coloquei esse creme de amendoim bem azedinho na boca eu quase caí estatelada no chão! O sabor é muito bom, claro, mas a textura realmente é o que mais me chocou! O negócio é aveludado mesmo. Incrível!

Aí eu saí enlouquecida pela receita e pedi permissão pra compartilhar aqui, porque o mundo inteiro merece provar isso! Sério! E pra felicidade geral da nação, a permissão foi dada! 🙂 Obrigada Bruna e Roger, seus queridos.

Na verdade, o processo de preparo lembra horrores a ricota de gergelim que já divulguei aqui no blog. Acho que a diferença principal tá nos tempos de espera entre uma etapa e outra. Então vamos logo à receita e fica de olho nas observações e dicas, hein? Parece a coisa mais trabalhosa do mundo, mas não é. Pode confiar!

Observação importante: como qualquer processo de ricota, o resultado da receita não rende muito, tá? Não se assusta! Se você morar com mais de 4 pessoas, recomendo dobrar a receita.

Ingredientes – custo total: R$ 6,12

  • 2 xícaras de amendoim cru sem sal (pode fazer com o torrado, mas aí o gosto vai ser de paçoca, não um sabor neutro)
  • 2 limões
  • água filtrada pro demolho e pra bater no liquidificador
  • sal pra temperar depois de pronta

Passo a passo do preparo

  1. Coloquei o amendoim de molho na água de um dia pro outro, de 8h a 12h.
  2. Escorri a água do demolho. O Roger descasca o amendoim depois disso, eu tenho preguiça e pulo. Você decide hahahaha.
  3. Bati essas duas xícaras de amendoim no liquidificador com 1 litro de água bem quente. Tem que ser bem quente pra esse leite ficar mais cremoso. E o líquido tem que ficar bem homogêneo e lisinho. Aqui levei quase 1min batendo.
  4. Peguei um escorredor de macarrão, coloquei um pano de prato em cima e uma tigela ou panela grande embaixo. Vamos peneirar o líquido! Pode usar uma peneira fina aqui também ou voal. Não precisa pressionar. Deixe o líquido escorrer naturalmente. A gravidade é quem vai trabalhar hahaha.
  5. Quando percebi que não saía mais líquido, peguei o pano, fechei as pontas e deixei ele tipo uma trouxa. Aí dei uma apertadinha final delicada, sem deixar a massa escorrer pra fora do pano, só o líquido.
  6. Agora falta pouco! Nessa tigela onde só sobrou líquido, espremi os 2 limões. E o resíduo do amendoim que sobrou no pano eu levei no forno e sequei pra fazer tipo uma farinha. Aí uso pra comer com fruta depois ou fazer farofa. Depois de seca, essa farinha com o resíduo dura bastante, mais de 15 dias.
  7. Mexi delicadamente o líquido com o suco de limão.
  8. Agora vou tampar essa tigela/panela e deixar fora da geladeira pra talhar com calma por algumas horas. O Roger recomenda cerca de 6 horas. Se possível, coloca perto de algo quente, como forno e fogão, que ajuda a talhar mais rápido. Ah! Não vai talhar perfeitamente como tofu ou ricotas de origem animal, tá? Mas confia!!!
  9. Vamo coar esse líquido pra separar o soro do creme! Peguei um pano de prato limpo (peneira não serve aqui porque o patê vai escorrer) e coei de novo em cima de uma tigela. Aqui você pode colocar algo pesado em cima pra escorrer mais rápido, mas eu prefiro não colocar porque acaba apertando demais e pode passar um pouco do creme pelo pano! E odeio desperdício!!!! O Roger recomenda esperar 4 horas nessa etapa.
  10. Pronto! Peguei um vidro qualquer, ou um pote plástico que roubei da casa da minha mãe, e despejei delicadamente a massa que sobrou no pano de prato. Tampei e deixei umas 12h fora da geladeira pra dar uma fermentadinha de leve. Depois desse tempo temperei com sal e lambi as beiças.

Etapa 6: a hora de talhar esse líquido

Etapa 9: o patê quase pronto! Só falta escorrer bem o soro! A foto ficou meia amarelada por causa da luz. Eu fiz de noite hehe.

Já pronto, com sal e tudo! Olha essa cremosidade, Brasil! 🙂

Como comer esse anjo: eu já usei em recheio de pastel, pra acompanhar o cuscuz, pra rechear a tapioca, também já recheei um quibe de abóbora de forno e já comi muito de colher também hahaha!

É isso! Beijos Fim.

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