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Prato Feito quarentener – R$ 9,97

Texto e receita de Ruan Félix*

Quando a Juliana me pediu esse mês pra criar um PF básico da minha maneira, confesso que achei uma tarefa bem fácil. Mas depois acabei me perguntando se conseguiria escrever alguma receita de PF que não caísse em clichês e cheguei nessa combinação aqui. Espero que você goste e faça sempre que quiser sair um pouco da obviedade de todo dia, mas sem perder a praticidade e preço acessível. Ainda mais nesses tempos de arroz caríssimo, né? Esse PF também é ótimo pra variar a comida caseira nesses tempos de isolamento social, né?

O primeiro passo é fazer o creme de cebola para o refogado do arroz e do feijão. Esse creme eu aprendi com o Max (@maxjaques). Eu recebi umas cebolas orgânicas muito pequenas, que se eu cortasse iria desperdiçar demais, então preferi bater e fazer uma pasta de temperos. Hoje sempre tenho um pouco dessa pasta na geladeira pros dias que bate uma preguiça de picar cebola pro almoço. E, se eu que sou cozinheiro profissional tenho essa preguiça, imagina você. Então pega esse tempero como um coringa que dura até 2 semanas na geladeira.

Olha o creme de cebola aí.

Creme de cebola para temperarR$ 0,92

1 cebola média

1 maço de coentro

1 colher de chá de semente de mostarda

1 colher de chá de feno-grego (se não conhece, vale a pena explorar essa iguaria maravilhosa encontrada em lojas de temperos e produtos naturais)

½ colher de sopa de semente de coentro

Quanto baste de óleo

Como eu fiz: cortei a cebola e o coentro grosseiramente e coloquei no liquidificador junto das especiarias. Adicionei um pouco de óleo o suficiente para as pás poderem bater os ingredientes na base. Bati tudo até virar uma mistura homogênea e reservei.

Em seguida, a gente vai pro feijão, porque enquanto o processo de preparo dele tá em andamento, você pode ir adiantando os outros preparos. Esse é um feijão simplinho, mas super gostoso porque leva uma pequena porradinha de umami com o toque dos tomates assados. E pra quem quiser saber um pouco mais sobre umami e sua função na cozinha, eu recomendo essa postagem aqui.

Se não quiser gastar tanto gás, pode só grelhar o tomate, mas o gosto não fica tããõão incrível.

Feijão com creme de tomate assado – R$ 2,67

1 xícara de feijão vermelho demolhads por no mínimo 12h

4 dentes de alho picados

2 colheres de sopa da pasta de cebola aí de cima

2 folhas de louro

1 dose de cachaça

½ colher de sopa de páprica defumada

1 colher de chá de cominho moído

1 tomate cortado em quatro

½ colher de sopa de vinagre

Como eu fiz: enquanto o feijão está na pressão, em uma assadeira levei o tomate cortado em quatro para o forno máximo e deixei assar até que ficaram bem murchos e assados. Depois disso, transferi para um liquidificador, adicionei a páprica e bati até ficar homogêneo. Se necessário, adicione um pouco de óleo ou azeite para facilitar. Reservei.

Depois do feijão cozido, em uma panela comecei o refogado adicionando um fio de óleo e a pasta de cebola (tomando cuidado com a quantidade já que a pasta também já leva gordura). Quando ela mudou de tonalidade e ficou verde escura, adicionei o alho e o louro e deixei até que o alho doure. Em seguida, entrei com uma concha do feijão cozido, o cominho, a pasta de tomate, a cachaça e o vinagre. E misturei bem para que os sabores se incorporem. Adicionei um pouco de sal e coloquei o restante do feijão. Deixei cozinhar por mais 15/20 minutos, corrigi o sal e desliguei o fogo. A pasta de tomate ajuda a engrossar o caldo do feijão, então se quiser um caldo mais ralo, adicione um pouco de água.

Arroz de coentroR$ 0,70

Do jeito que anda o preço do arroz eu acho que a Juliana vai precisar aumentar o preço mínimo das receitas quando tiver arroz porque olha, sem condições huaha. Mas vamos lá.

Nesse arroz a gente vai utilizar a maior parte da pasta de cebola. Por conta disso, ele vai ficar verdinho e com um sabor gostoso de coentro, mas se por acaso você quiser profanar a receita e utilizar outra erva no lugar do coentro, como salsinha, hortelã e manjericão, fique à vontade.

1 xícara de arroz parboilizado

3 xícaras de água

pasta de cebola

1 folha de louro

sal a gosto

Como eu fiz: num fio de óleo comecei refogando a pasta de cebola até mudar de tonalidade. Acrescentei o arroz, o louro e o sal, misturei bem e adicionei a água fria. Cozinhei até que a água tenha evaporado por completo.

Citronete de banana da terra – R$ 2,78

Citronete? Sim, um preparo semelhante ao do vinagrete. A única diferença é que no lugar de utilizar vinagre para acidez nós usamos o suco de alguma fruta ácida. Aqui a gente vai usar limão que é o mais em conta, mas eu já fiz com suco de abacaxi, maracujá, tangerina… O que você gostar mais, desde que seja ácido.

1 banana da terra que não esteja verde

1 tomate

1 cebola roxa

suco de meio limão

1 fio de azeite

sal a gosto

Como eu fiz: cortei a banana-da-terra, o tomate e a cebola roxa em cubos pequenos, misturei com o suco de limão, corrigi o sal e reservei.

Couve com molho de amendoimR$ 2,90

Essa ideia eu aprendi com um chef estadunidense e desde então, sempre que quero variar a famosa couve no alho, uso essa receitinha. A original leva mais ingredientes do que os que estão listados aqui, mas iremos fazer uma versão mais básica para caber no orçamento que me deram huahauha.

1 maço de couve cortada em fatias finas

5 dentes de alho picados

3 colheres de sopa de pasta de amendoim sem sal

1 colher de chá de shoyu

1 colher de chá de suco de limão

óleo quanto baste

sal a gosto

Como eu fiz: para fazer o molho misturei a pasta de amendoim, o shoyu, o suco de limão e óleo até formar um molho fino. Em uma panela, adicionei um pouco de óleo, deixei aquecer e acrescentei o alho. Deixei fritar até dourar levemente e adicionei a couve.

Fritei rapidamente para cozinhar, mas sem deixar muito tempo para não perder a cor nem soltar muita água. Coloquei um pouco de sal, tomando cuidado porque o molho também já vem levemente salgado por conta do shoyu. Desligue o fogo, esperei alguns minutos e acrescentei o molho de amendoim. Mexi bem para que incorpore em toda couve. O molho de amendoim, por ser uma fonte de gordura vegetal, acaba “engrumando” em altas temperaturas assim como o creme de leite, por exemplo. Por isso, é sempre importante deixar o preparo esfriar um pouco para poder utilizá-lo.

Se desejar, você pode adicionar um pouco de gengibre e coentro picado para um molho mais saboroso. Aos que gostam uma pimentinha dedo-de-moça também fica perfeita!

Então é isso! Espero que tenha gostado dessas receitas, que elas sirvam pra variar um pouco a comida e que deixem esses tempos de quarentena um pouco menos angustiantes. Deixe seu comentário aqui e marque a mim e a Ju quando fizer. Vejo você no mês que vem. <3

*Ruan é meu amigo, gastrônomo, vegano e professor de culinária especializado em cozinha vegetal com valorização de ingredientes brasileiros. Quebrou a internet com a dica do vinagre no feijão, enche o meu saco por causa do nome “batapioca” e milita em favor do protagonismo dos vegetais, pra que “lasanha vegana” e “risoles de falso camarão” sejam conhecidos como “lasanha de berinjela” e “risoles de chuchu”. Acesse aqui o Instagram, Médium ou Twitter. Para comprar as apostilas online de molhos e temperos é só enviar um alô no inbox do Instagram.

**Observação: os preços são um cálculo simbólico, já que variam muito em todo o Brasil. Na conta, óleos e gorduras só entram a partir de 1/4 de xícara porque menos do que isso fica difícil de medir na balança. As especiarias e ervas a mesma coisa.

2 Comments

  • Mari Assmann

    Ruan, acho que terei que profanar a receita. Hahaha! Cominho e coentro são os únicos dois sabores que (ainda) não consigo lidar (aqui no RS praticamente só a salsinha reina – fui conhecer coentro só depois de adulta – já com o paladar mais chato).

    Mas achei tão bem formulado esse prato que tô cogitando seguir a risca a receita e tentar mais uma vez (tô sempre tentando gostar dessa dupla)!

    E adorei a ideia de ter sempre um creme de cebola na geladeira! Vou fazer com certeza!!! 🙂

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