Textões

Rede social é legal, mas tem hora que só uns textões trazem a ideia que a gente quer passar! Fiquem aqui com textões pra refletir e pra aprofundar:

  • Como analisar rótulos – parte 2 (aditivos alimentares)
    Quando comecei essa série sobre análise de rótulos, recebi dezenas de mensagens assim “mas e a periferia?”, “e as pessoas que não têm poder de escolha?”. A gente precisa ter noção das desigualdades desse país, sem dúvida, mas também precisa cuidar pra não reproduzir uma lógica colonizadora e preconceituosa. Quem disse que as pessoas periféricas, com toda a sua diversidade, não tão buscando informação e construindo as suas próprias saídas? E outra. Eu sempre ressalto que escolhas individuais não transformam o mundo, viu? Não votei no Partido Novo. hahahaha Então eu não defendo que todo mundo compre a sua couve orgânica, tempere seu yakissoba com molho shoyu natural e seremos felizes pra sempre. Eu mesma que trabalho com esse tema, tenho acesso a orgânicos, cozinho horrores, ainda consumo algumas coisas super industrializadas. E, como já falei mil vezes, o convívio social é importantíssimo pra gente. E eu nunca deixo de ir à casa de alguém ou sentar com pessoas em algum lugar porque ali só tem cerveja de milho transgênico ou catchup com aromatizante. Em vez da gente entrar numa paranoia de busca por uma alimentação perfeita, porque ela não existe e isso pode levar a transtornos alimentares, que tal fazer o nosso possível e nos juntarmos pra mudar as questões mais estruturais? Em casa a gente pode pensar na ideia de “reduzir danos”, dentro dos nossos limites de tempo, renda, etc. Fora isso, partimos em busca das transformações mais estruturais, como acabar com as isenções de impostos pra indústria de refrigerantes; aprovar os alertas nos rótulos; criar políticas de apoio aos agricultores familiares e agroecológicos (pra reduzir o preço dos alimentos mais saudáveis); aprovar e fazer cumprir leis mais rigorosas pra grande indústria. Beleza? Resumindo: minha intenção aqui não é fazer terrorismo. Não é pra você ter um ataque de pânico a cada ida ao supermercado, muito menos sentir repulsa dos produtos alimentícios, viu? Enfim, bora começar. Se você ainda não leu o primeiro texto dessa série, espia aqui pra não ficar comendo mosca e não passar mais perrengue na hora de decifrar uma embalagem de comida. E agora chegou o momento de entrarmos no submundo daqueles nomes estranhos que aparecem na lista de ingredientes: os aditivos alimentares. Aliás, obrigada, Idec, por estar junto comigo nessa mais uma vez! Deixa só eu fazer mais um parênteses rapidão. Ninguém vai comer menos corante caramelo IV enquanto não tivermos uma divisão justa de tarefas domésticas. Chega de sobrecarregar as mulheres com a carga mental da alimentação da família. Já deu! 2020! O 5G tá aí. Tá cheio de gente que veste o boné da reforma agrária, critica os impactos ambientais gerados pelas mega corporações, mas que nunca picou uma cebola ou não faz ideia do que tá faltando na geladeira. O que são os aditivos, exemplos e funções Vamo pro começo desse papo então. Sabe quando você olha pra uma lista de ingredientes de qualquer coisa, como um óleo de girassol, um pão de fatia ou um pote de sorvete e encontra vários nomes estranhos, alguns que até acompanham uns números às vezes, e você se sente nas aulas de química do colégio? Então: esses são os nossos amigos aditivos alimentares, também conhecidos como “aditivos químicos”. Até o momento a Anvisa já aprovou o uso de 315 deles nos alimentos brasileiros. Eles tão nos pacotes, garrafas, vidros e caixinhas com vários objetivos: fazer o produto durar mais tempo, ganhar uma cor mais bonita, um cheiro mais atrativo, uma textura mais macia, mais encorpada, regular a acidez, pipipi popopó. E é muito importante entender algumas funções básicas deles pra não cair em roubadas ou achar que todos são monstruosos. Não são. Um regulador de acidez, como o acidulante ácido cítrico, muito comum em molhos de tomate, até naqueles mais naturais, é incomparavelmente mais seguro e ok do que um corante artificial, entende? Além de evitar o máximo de aditivos na alimentação, a gente precisa ter mais atenção com esses da lista acima que fazem parte da categoria “transformadores”. Peraí que já vou explicar melhor. Não tem nada de errado em querer fazer os alimentos durarem mais, ter um aspecto mais colorido ou uma textura mais homogênea. A gente já usa ingredientes naturais pra mudar as características dos alimentos ou conservá-los por mais tempo há milhões de anos, né? O açúcar faz a geleia durar meses, o sal faz as carnes não estragarem tão rápido fora da geladeira e o inhame, principalmente cozido, atua como um espessante natural em sopas, cremes, vitaminas, doces, coberturas de bolos. Quem nunca jogou um pouco de urucum ou cúrcuma pra deixar a farofa menos pálida? Os dois são corantes naturais, assim como a beterraba. O pulo do gato nesse assunto é o OBJETIVO da empresa ao usar os aditivos químicos nos alimentos. Esses que pertencem à categoria dos “transformadores”, como corantes, aromatizantes, realçadores de sabor, melhorador de farinha, tão ali pra contar mentirinhas, pra fazer de conta que o conteúdo daquela embalagem se parece com algo que a gente já conhece. Por exemplo: todo mundo sabe o que é um sorvete de chocolate, né? As bonitonas da empresas querem gastar o mínimo de grana possível pra fabricar o negócio. E assim ter um lucro maior. E aromatizante e corante caramelo são muito mais baratos do que usar cacau em pó ou um chocolate em barra. Então a empresa diz que ali tem chocolate, mas só tem produtos químicos que fazem de conta que são chocolate. A mesma coisa acontece com um hambúrguer vegetal ultraprocessado. Ali não tem “lentilha” ou “ervilha”, ou “feijão”, como a versão que a gente faz em casa. Tem apenas a proteína isolada dessas leguminosas + muita gordura pra dar textura + 2 milhões de aditivos pra ajudar com sabor, cor, maciez… É por isso que eu amo chamar os alimentos ultraprocessados de “mentiras empacotadas”. A gente consegue decifrar quão fake é aquele produto só pela quantidade de aditivos ou alguns específicos, que escancaram a falsidade. Na minha humilde opinião, “aromatizante” é uma coisa que já entrega a qualidade do produto, né? Tento ao máximo não comprar nada aromatizado artificialmente porque acho um grande desrespeito, um despautério, uma afronta à diversidade de temperos e alimentos maravilhosos que temos no Brasil. Mesma coisa com os realçadores de sabor, mas peraí que vem um tópico só sobre eles aí embaixo. Resumindo, o principal que você precisa saber até agora é que nem todo aditivo é o fim do mundo e eles costumam aparecer de forma mais abundante nos ultraprocessados, que são aqueles alimentos muito distantes do que a gente reconhece como comida, tipo miojo, refrigerante, suco de pozinho, gelatina, salgadinhos… E lembra que a gente já tinha mil motivos antes pra evitar os ultraprocessados, né? Excesso de sal, açúcar, gorduras, as grandes empresas por trás deles, a quantidade de recursos naturais usados pra fabricar essa galera… Beleza? Pra fechar essa parte, existem duas definições oficiais de aditivos alimentares. Definição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão do Ministério da Saúde: “aditivo alimentar é qualquer ingrediente adicionado intencionalmente aos alimentos, sem propósito de nutrir, com o objetivo de modificar as características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais (…)”. Definição da Organização Mundial de Saúde (OMS): “qualquer substância que enquanto tal não se consome normalmente como alimento, nem tampouco se utiliza como ingrediente básico em alimentos, tendo ou não valor nutritivo, e cuja adição intencional ao alimento com fins tecnológicos (incluindo os organolépticos) em suas fases de fabricação, elaboração, preparação, tratamento, envasamento, empacotamento, transporte ou armazenamento, resulte ou possa preservar razoavelmente por si, ou seus subprodutos, em um componente do alimento ou um elemento que afete suas características”. Como aparecem nas embalagens dos alimentos Os aditivos sempre precisam aparecer no fim da lista de ingredientes das embalagens, é lei! Também na moda encontrarmos rótulos com frases em destaque assim “não contém conservantes”, “livre de aromatizantes”, etc. Isso significa que essa categoria específica não bateu cartão no alimento. Mas não deixa de olhar a lista de ingredientes pra ver se existem outros aditivos. Muitos produtos também usam o Sistema Internacional de Numeração (INS), principalmente os importados. Então não se assuste se encontrar umas siglas com uns números em vez do nome específico do aditivo químico. Não é armadilha da indústria não! Se uma garrafa de vinho, por exemplo, circula por vários países a empresa precisa informar a função do aditivo + o seu nome ou o seu código INS. Então na lista de ingredientes do vinho, por exemplo, você pode encontrar um aditivo assim: “conservante ácido sórbico” ou “conservante INS 200”. É a mesma coisa. Por que se preocupar Como já falei aí em cima, o grande número de aditivos já denuncia que se trata de um produto ultraprocessado. E lembra que o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde (saudades do tempo em que existia ministro da saúde, né, minha filha?) recomenda evitá-los ao mááááximo, sempre que possível. Mas não é só isso. Por mais que alguns engenheiros de alimentos, gastrônomos e umas pesquisas garantam que os aditivos são “seguros”, isso tá longe de ser um consenso científico. Quando eu comecei a estudar esse tema, me lembrei muito da questão das sementes transgênicas, sabia? Porque a lógica absurda é parecida. A gente libera as substâncias porque não existem evidências científicas que comprovem os malefícios do consumo no curto prazo. Mas não deveria ser o contrário? A gente não deveria liberar só aquilo que tivesse certeza absoluta de ser ok? Os pesquisadores e profissionais da saúde mais críticos ao consumo de aditivos nas bebidas e alimentos têm outro argumento válido: os estudos já publicados só analisam os aditivos isoladamente, mas não combinados num mesmo produto, muito menos o consumo frequente por um longo período. Mas a gente sabe que eles são substâncias que nunca andam sozinhas nos produtos. Então não temos noção do efeito do consumo de 1 edulcorante + 2 aromatizantes + um realçador + um melhorador de farinha juntos. Pensa aqui comigo. Vamo imaginar um hambúrguer completo. Na lanchonete ou em casa a gente coloca na mesma refeição um pão comprado pronto pra hambúrguer com alguns aditivos + o próprio hambúrguer congelado com corante, aromarizante, etc + catchup com espessante e tal + maionese com antioxidantes, sequestrante… A ciência ainda não apontou que que pode rolar no nosso corpo a partir desse bombardeio de aditivos consumidos juntos, com frequência, por pessoas de todas as ideias. Outra coisa. E o consumo dessas substâncias em populações mais vulneráveis, que já comem menos alimentos frescos, como frutas e legumes, por causa do preço e da falta de acesso, hein? E que já lideram o ranking de diabetes e hipertensão? Sobre esse tema, recomendo muito que você leia esse texto sobre o nutricídio das pessoas pobres e negras em tempos de coronavírus. As gerações que vêm deixando de comer comida pra se alimentar de mentiras empacotadas são recentes. E a gente sabe que o consumo desses produtos não para de crescer na América Latina, especialmente nas crianças, né? Então não dá mesmo pra dizer que não tem problema, é tudo seguro, vamo deixar os pequenos comerem toddynho e fangandos em paz! Não!!! Muito menos que tudo isso se resolve apenas com informação e conscientização das pessoas! Com isso bem claro, bora falar dos aditivos que já tão BEM relacionados a problemas de saúde? A grande maioria pertence ao grupo dos corantes artificiais. De longe, são as substâncias químicas mais preocupantes de acordo com os estudos já publicados. A gente já tem indícios que o consumo regular deles pode causar especialmente doenças estomacais, respiratórias e alergias na pele. O trio mais preocupante é esse aqui, super presente nas balas, chicletes coloridos, refrigerantes e salsichas: tartrazina, o corante amarelo crepúsculo e o corante vermelho 40. Vários países do mundo proibiram o uso deles nos alimentos, já que temos estudos que apontam até um potencial cancerígeno nessa galera aí. Mas ninguém na família dos corantes é capaz de desbancar a péssima fama do corante caramelo IV, responsável pela cor escura dos…
  • Como analisar rótulos – parte 1
    Não é fácil mudar hábitos alimentares, né? Dizem que basta querer e ter força de vontade, mas na verdade tudo o que a gente come é influenciado por fatores para além da nossa casa. Nossas escolhas têm a ver com o lugar onde crescemos, com o processo de colonização europeia, a super influência dos Estados Unidos em cada respiro que a gente dá, o marketing das grandes empresas na TV, na internet, o tempo que temos disponível pra cozinhar, se temos acesso fácil a alimentos naturais e orgânicos, questões de renda, além de informação, claro, e outros mil fatores.  Tudo isso pra dizer que a gente precisa se preocupar em fazer escolhas alimentares saudáveis e sustentáveis, óbvio. Mas sem esquecer que isso não basta. Faltam leis mais rígidas que obriguem as empresas a serem mais honestas nas embalagens dos produtos, por exemplo. Faltam políticas públicas pra levar comida fresca aos desertos alimentares, pra restringir o uso de agrotóxicos, pra incentivar a produção de orgânicos, regras mais severas para a publicidade, principalmente para a publicidade infantil, etc.  Esse post tem 2 funções então: te ajudar a fazer escolhas mais conscientes no supermercado, porque é um direito seu saber exatamente o que tá comprando, mas também te convocar pra construir outro sistema alimentar junto comigo e junto com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, o Idec, que me apoia nesse conteúdo. Ah! Aqui no Brasil, o principal órgão responsável por exigir que as empresas coloquem isso ou aquilo nos rótulos dos alimentos é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, que foi criada em 1999 e pertence ao Ministério da Saúde.  Mas antes de começar com as dicas sobre a análise crítica das embalagens, não custa lembrar: nem todo alimento processado ou industrializado é ruim, viu? Na verdade, se não fosse pelo processo de armazenamento e embalagem industrial eu não conseguiria comprar o arroz agroecológico maravilhoso produzido pelos assentados do Movimento Sem Terra. Entende? Moer, desidratar, pasteurizar, refrigerar, congelar, fermentar e embalar são processos básicos na indústria de alimentos. Sim, quanto mais artesanal o produto for, melhor, até pela questão social, né? De comprar de um pequeno produtor, em vez de uma mega empresa. Mas esses processos industriais básicos não podem ser demonizados. Em resumo, quase tudo o que a gente come passou por algum tipo de processamento, com exceção dos alimentos in natura, como brócolis e rúcula. Os grãos passam pela moagem pra virar farinha, os cogumelos e frutas são desidratados, leites vegetais ou animais são pausterizados, etc. O próprio Guia Alimentar para a População Brasileira, documento incrível, referência no mundo inteiro (acesse aqui), recomenda que a gente consuma alimentos processados ou minimamente processados também. Só fique atento pra 2 pontos. Procure alimentos processados à base de milho, como fubá, cuscuz ou flocão que não tenham o triângulo que indica a presença de milho transgênico. Mesma coisa pros alimentos que contém derivados de soja. E isso é mais comum de conseguir nas feiras do que nos supermercados. Outro ponto: goma de tapioca, por exemplo, é um alimento minimamente processado, mas varia muito de uma marca pra outra. Algumas incluem vários conservantes. Não deixe de conferir a lista de ingredientes, viu?  Agora, nossos olhos precisam estar atentos mesmo é pras mentiras empacotadas, os chamados alimentos ultraprocessados. São refrigerantes, bolos industrializados, hambúrgueres, nuggets, lasanhas prontas, macarrão instantâneo, biscoitos recheados, balas, sorvetes… Já existem muitos estudos que mostram que o consumo dessa galera tá associado ao desenvolvimento de doenças crônicas não-transmissíveis, como hipertensão e diabetes. E não para só na questão da saúde, né? Essas substâncias comestíveis também geram muito lixo, gastam muitos recursos naturais no seu processo de preparo e representam um tipo de comida muuuuuito distante do que nossas avós comiam. Sem vida, feita pra comer rápido, correndo, que não faz parte da nossa cultura alimentar. Fora a enganação do próprio produto em si, né? As marcas dizem que vendem fibras, sabor, energia, vitaminas, mas vendem mesmo é gordura de péssima qualidade, toneladas de sal e açúcar, além do combo fake: corantes, aromatizantes, espessantes artificiais, conservadores, etc.  Ah! Tem mais! Os produtos ultraprocessados são tão bizarros que fica mais difícil classificá-los em algo óbvio como “doce” ou “salgado”. Bebidas como refrigerantes, que entendemos como “doces”, tem doses exorbitantes de sódio, principalmente as versões light e zero. Assim como alimentos salgados, como aquele biscoito água e sal, possuem quantidades absurdas de açúcar.  Agora podemos começar o guia pra te ajudar na empreitada de encarar o supermercado com olhos mais atentos. Ah! Não tem uma ordem de prioridade aqui, viu? Vou listar os critérios que eu mesma uso na hora de escolher o que comprar. Veja o que faz sentido pra você. 1) Nome da empresa Existe uma pequena lista de multinacionais que controla basicamente TODA a produção de alimentos e bebidas do mundo. E elas vivem comprando empresas menores ou se fundindo entre si pra monopolizar um setor. Por exemplo: uma empresa brasileira chamada 3G Capital comprou o Burguer King e o catchup Heiz, e seus donos são acionistas da Ambev. E jeito de produzir dessas mega multinacionais a gente já conhece, né? Não tem como sair algo maravilhoso dos grandes monopólios. Essa galera não costuma remunerar de forma justa seus fornecedores (quando não estão envolvidas em casos de trabalho análogo à escravidão), causam danos ambientais surreais, quebram os comércios locais, investem muito em marketing, financiam pesquisas científicas que as favorecem (leia “Uma verdade indigesta”, da Marion Nestle!), influenciam políticas públicas de saúde do mundo inteiro e enchem médicos e nutricionistas de presentinhos. Na lista dessas megaempresas, algumas das que estão em peso nos nossos supermercados são: Coca Cola (Estados Unidos), simplesmente dona de 600 marcas, como Fanta, Mate Leão, Ades, Sprite, Sucos Del Valle, Schweppes, água Crystal, etc. Pepsico (Estados Unidos), dona das marcas: salgadinhos Elma Chips, Pepsi, Toddy, Toddynho, Kero Coco, Mabel, Quaker… Cargill (Estados Unidos), dona das marcas: Pomarola, Mazola, Olivia, Liza, Elefante, Maria, Purilev, Veleiro, Tarantella, Pomodoro, Extratomato.. Nestlé (Suíça), dona das marcas: Bonno, Leite Ninho, Nesfit, Nescafé, Neston, Mucilon, Nescau, Passatempo, Kit Kat, Leite Moça, Corn Flakes, Nesquik… Danone (Espanha), dona da marcas: Neoforte (fórmula infantil), Activia, Danette, Corpos, Actimel, Danoninho, Silk… Mondelez (Estados Unidos), dona das marcas: Trident, Milka, Nabisco, Oreo, Tang, Royal, Lacta, Sonho de Valsa, Babaloo, Bis, Trakinas.. Krafit Heinz (Estados Unidos), dona de marcas como a maionese e o catchup Heinz, creme Philadelphia, Quero!.. Unilever (Inglaterra), dona das marcas: Kibon, Hellmann’s, Becel, Knorr, Arisco, Lipton, Maizena… JBS/Friboi (Brasil), dona das marcas: Vigor, Seara, Danubio, Itambé, Faixa Azul, Leco, Frangosul, Swift, Doriana.. BRF (Brasil), dona das marcas: Sadia, Perdigão, Qualy, Banvit, Sulina.. Observação: há produtos sem ingredientes de origem animal no rótulo que não podem ser compreendidos como veganos na minha opinião, uma vez que as empresas utilizam animais na produção de outras linhas ou testam em animais ou patrocinam eventos como rodeios e vaquejadas ou financiam campanhas de políticos da bancada ruralista. Ou seja, não dá pra separar a empresa do produto! Tudo o que a gente come é político! 2) Lista de ingredientes A ordem dos ingredientes que aparecem na lista é decrescente, ou seja,  da maior quantidade pra menor, com exceção dos aditivos químicos, que sempre devem vir por último. Isso quer dizer que se açúcar for o primeiro da lista, é o que mais tem nesse produto. Esse é um bom jeito também de analisar se o alimento é realmente integral. Eu vejo assim: os cereais integrais precisam aparecer em maior quantidade que os refinados. Se tiver em dúvida entre comprar uma marca ou outra, não deixe de avaliar o número de ingredientes. Quanto menos, melhor. E itens como melhorador de farinha, aromatizantes, corante caramelo IV, gordura hidrogenada e açúcar invertido ou algo sem especificação, como proteína vegetal, por exemplo, indicam que o produto é um alimento ultraprocessado, bem distante da comida que preparamos em casa. Atenção! Açúcar camuflado! Ele pode aparecer “escondido” de mil formas na lista de ingredientes. Por exemplo: glucose, lactose, glicose, xarope de malte, sacarose, frutose, açúcar invertido, dextrose, xarope de milho, maltodextrina, maltose. Muitos sucos de frutas também são usados para adoçar produtos, como o suco de maçã. Todos eles são tipos de açúcares.  Não custa lembrar: A Organização Mundial da Saúde recomenda que o nosso consumo total de açúcar não ultrapasse 10% das calorias consumidas por dia. Maaaas, o Brasil ocupa o lugar de 4o maior comedor de açúcar do mundo, com uma média de 16, 3% das nossas calorias num dia. Saiba mais aqui. Atenção! Néctar camuflado de “suco”! Suco você conhece: é feito com a fruta fresca ou com a sua polpa congelada, mas também pode ser encontrado no supermercado na versão integral, como os sucos de uva sem adição de açúcar e sem aditivos químicos. Mas apesar das embalagens serem lindas, com frutas em destaque, brilhosas e suculentas, os néctares não são sucos. Eles costumam vir em caixinhas, são muito comuns na lancheira das crianças, e possuem entre 30% e 50% de fruta, depende do sabor. No caso de laranja e uva a legislação brasileira exige que os néctares apresentem 50% de fruta, manga e pêssego, 40%.  Mas pensa aqui comigo. Se esses néctares não são 100% fruta, o que mais tem ali além de água? Simples: açúcar, corantes, aromatizantes e outros aditivos químicos que barateiam o preço do produto e dão uma aparência de suco natural. Já os refrescos em pó, são uma roubada ainda maior. Tem marca que não alcança nem 1% de fruta. Ou seja, essas opções estão mais perto dos refrigerantes do que dos sucos naturais de fruta.  Atenção! Sódio camuflado! Assim como o açúcar, o sal aparece de formas ainda mais difíceis de decifrar. Ingredientes de origem animal como queijos e calabresa ou de origem vegetal, como azeitonas, também contém sal, o que não aparece na lista de ingredientes muitas vezes. Além disso, existem adoçantes que contém sal (ciclamato de sódio e sacarina sódica), fermentos (bicarbonato de sódio), realçadores de sabor (glutamato monossódico) e conservantes (como nitrito de sódio e nitrato de sódio), e que não entram na conta da quantidade de sal informada pela marca. Ou seja, a gente come MUUUUITO mais sal do que as embalagens informam. Bora ver um exemplo? As palavras em negrito representam o sódio camuflado na lista de ingredientes do produto acima: farinha de trigo fortificada com ferro e ácido fólico; linguiça calabresa (carne suína, sal, maltodextrina, pimenta calabresa, noz-moscada, dextrina, pimenta preta, estabilizantes: tripolifosfato de sódio e polifosfato de sódio; antioxidante isoascorbato de sódio; aromatizantes, acidulante ácido cítrico, reguladores de acidez citrato de sódio e lactato de sódio, conservadores nitrato de sódio e nitrito de sódio, corantes carmim de cochonilha, caramelo IV e vermelho beterraba), água, queijo mussarela, polpa de tomate, cebola, óleo de soja, azeitona, sal, dextrose, fermento biológico, azeite de oliva, extrato de malte, orégano, emulsificantes polisorbato 80 e estearoil 2 lactil lactato de sódio, melhorador de farinha: cloridrato de I-cisteína. Tem mais. Na tabela nutricional dessa pizza, a empresa informa que em cada 1/6 de pizza há 77mg de sódio. Isso significa que 1/6 dessa pizza tem 20% da quantidade de sódio que um indivíduo precisa num dia. Se uma pessoa come a pizza inteira sozinha em uma refeição, ela come muito mais do que o recomendado por dia. É surreal!  Não custa lembrar: A Organização Mundial da Saúde recomenda que o nosso consumo de sal não exceda 2g por dia. Mas, a média do Brasil já é o dobro do recomendado, cerca de 4,1g por dia. E isso não se deve apenas ao fato de que comemos feijoadas muito salgadas, mas pelo nosso alto consumo de alimentos ultraprocessados, como essa pizza aí de cima. Como se não pudesse piorar, um estudo do Idec constatou que muitas empresas informam uma quantidade menor de sódio do que o produto realmente tem. Confira a lista de produtos aqui e entenda os problemas relacionados ao alto consumo de sódio aqui. Atenção! Gordura trans camuflada: Esse ingrediente já foi banido do processo industrial de alimentos em vários países no…
  • A alimentação no novo governo
    Oi! Já li alguns balanços dos primeiros meses do governo Bolsonaro sobre outras áreas, mas até o momento não encontrei nenhum apanhado sobre o campo da alimentação. Como acredito que informação é um direito e precisamos ter acesso a tudo o que tá rolando, me debrucei sobre os principais decretos do novo presidente e resumi tudo nesse post.  Vai ser um bombardeio de notícia ruim, já aviso. Mas a gente só pode se mobilizar, se organizar e até opinar quando entendemos minimamente sobre os fatos, né? Boa leitura! Comida saudável, orgânica, natural tem que ser direito de todos. ⠂FIM DO CONSEA. O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) foi criado no governo Itamar Franco com o objetivo de atuar na combate à fome e à miséria no Brasil. Até janeiro desse ano, tinha a função de propor diretrizes e prioridades relacionadas à alimentação ao governo federal. Formado por membros do governo e da sociedade civil, o órgão vinha fazendo inúmeras críticas ao uso de agrotóxicos e defendia a agricultura familiar.  Entre as bandeiras do Conselho estava a luta pela não aprovação da PL do Veneno e a construção do Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar. Por mais que se resumisse a um trabalho de assessoria à presidência, o Consea incomodava (e muito!) as grandes corporações e o agronegócio.  O novo governo jogou tudo o que cabia ao Consea pra um novo ministério, o da Cidadania, mas sem incluir a participação da sociedade civil. Ou seja, agora a responsabilidade pela Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional fica a apenas com o governo. Adeus, Consea, adeus participação popular! Mas nem tudo está perdido: Essa medida do presidente só vale por 60 dias. Depois ela pode ser prorrogada por mais 60 dias e só. Vai precisar da aprovação do congresso pra continuar. Quer saber mais? Espia essa reportagem.  ⠂FIM DO MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL. O novo Ministério da Cidadania engloba o antigo Ministério do Esporte, o antigo Ministério da Cultura e o também extinto Ministério do Desenvolvimento Social, que coordenava a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. O novo governo manteve o programa, mas diversas associações e organizações entendem que a junção das três áreas dentro do mesmo ministério tende a enfraquecê-las e reduzir os recursos. Precisamos ficar de olho.  No fim do ano passado, o Ministério de Desenvolvimento Social publicou um trabalho maravilhoso chamado Mapeamento dos Desertos Alimentares no Brasil. De forma detalhada, o estudo apontou de que forma fatores como renda, região e tipo de estabelecimento influenciam a oferta de alimentos no nosso país. Foi a primeira vez que um estudo tão detalhado e tão grande sobre esse tema foi feito por aqui. Pra ler o mapeamento completo, clica nesse link. ⠂FIM DA SECRETARIA NACIONAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL. Em vez de realocar os funcionários da antiga Sesan no novo Ministério da Cidadania, o novo governo está exonerando a equipe de funcionários. Advogados, sociólogos e nutricionistas, que vinham fazendo um trabalho importantíssimo na construção de políticas de combate à fome e desnutrição no Brasil, não ocupam mais cargos em Brasília. A secretaria extinta fazia a ponte entre o governo federal e as ONGs, estados e municípios. Não sabemos se esse trabalho vai continuar e se terá a mesma força.  ⠂REFORMA AGRÁRIA SUSPENSA. Com o novo arranjo de ministérios, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) deixou de pertencer à Casa Civil e agora integra o Ministério da Agricultura. Sim, pode parecer piada, mas o órgão que trata da reforma agrária está nas mãos dos ruralistas, aqueles coronéis da soja transgênica e da criação de bois. Como já era mais do que esperado, o novo governo suspendeu 250 processos de aquisição de desapropriação de terras, além de interromper os 1.700 pedidos de identificação e delimitação de territórios quilombolas assim que assumiu.  Pra saber mais, clica aqui.  ⠂NOVA MINISTRA DA AGRICULTURA. Tereza Cristina, do DEM, é apenas a deputada federal autora do projeto que quer liberar a pastagem de bois em reservas ambientais. Prazer, essa é a nova ministra da agricultura. A pessoa responsável pelo que chegará na nossa mesa também votou a favor da PL do Veneno, a favor da PL da Grilagem, a favor da medida provisória que aprovou o aumento da área desprotegida (ou seja, desmatamento!) na Floresta Nacional do Jamanxim e na Serra do Cachimbo (PA), além do Parque Nacional de São Joaquim (SC). Como se não fosse o suficiente, a moça também votou pelo fim da exigência do daquele T no rótulo dos alimentos que possuem alguma coisa transgênica na composição.  Ah! Não custa lembrar: a ministra é proprietária de terra, dona da MMT NUTRICAO ANIMAL, que fica na cidade de Terenos, Mato Grosso do Sul. E como sempre pode piorar, durante a campanha eleitoral de 2014 ela recebeu R$ 100.000 em doações da Vetorial Siderurgia, empresa que já foi multada pelo Ibama e denunciada por trabalho escravo.  Resumindo: quando a gente acha que Kátia Abreu era grave, que Blairo Maggi já tinha entupido a gente de veneno o suficiente, somos presentados com a nossa amiga Tereza Cristina.  ⠂MAIS DE UM AGROTÓXICO LIBERADO POR DIA. Nos primeiros 47 dias de governo, Bolsonaro autorizou a entrada de 54 novos agrotóxicos no mercado. Nunca na história desse país outro presidente conseguiu tamanha proeza. Assim, chegamos ao maravilhoso número de 2.123 venenos licenciados por aqui. Só no dia 11 de fevereiro, foram 19 produtos autorizados, sendo que 12 ocupam o maior grau toxicológico possível. Entre os novos defensivos cancerígenos que tão chegando pra gente, estão o Mancozebe, usado pra cultivar arroz, banana, feijão, milho e tomate; além do Piriproxifem, destinado ao café, melancia, soja e melão, por exemplo. Para saber mais detalhes, clica aqui.  Resumindo: viramos o local preferido de descarte de agrotóxico do mundo. Tudo o que é proibido no exterior, as empresas gringas empurram pra gente e o nosso presidente aceita de braços abertos.  Ainda aguardamos a votação da PL do Veneno, que tá pra ser votada a qualquer momento na Câmara dos Deputados. Sobre esse projeto, explico tudo certinho aqui. ⠂GLIFOSATO À BEIRA DO RIO SÃO FRANCISCO. Como essa novela sempre pode ganhar novos capítulos e um final ainda mais assustador, no dia 13 de fevereiro o Ibama autorizou o uso de glifosato, o veneninho da Monsanto associado à causa de câncer, em caráter emergencial pra combater as árvores Algaroba (Prosopis juliflora), localizadas na beira do Rio São Francisco. Ok, já sabemos que essa planta ameaça a biodiversidade do semiárido do Nordeste. Mas até eu que sou uma ninguém na fila do pão sei que existem formas menos nocivas de conter plantas invasoras e que não precisamos entupir um dos rios mais importantes desse país de glifosato! Chamem os especialistas em agrofloresta! Pra ler o decreto completo, clique aqui.  ⠂NOVAS PRIORIDADES DA ANVISA. Fevereiro já pode ser considerado o mês nacional do veneno! No dia 13, saiu a nova lista anual de temas que serão prioridade pra Agência Nacional de Vigilância Sanitária até 2020. E olha só que coisa interessante. Saiu da lista a revisão da capacidade toxicológica do agrotóxico acefato, conhecido no mundo todo por seu potencial cancerígeno. Ou seja, não teremos uma segunda chance pra provar que se trata de um veneno perigosíssimo. Pra ler o documento completo, clica aqui.  ⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻ É isso. Queria trazer boas notícias, mas não é possível neste momento. Pra continuar por dentro do assunto, indico essas páginas: ⠂ Por trás do alimento ⠂ O Joio e o Trigo ⠂ De olho nos ruralistas ⠂ Ruralômetro    ⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻⁻ Ah! Gostaria de agradecer aos apoiadores do Catarse, que me permitem dedicar mais tempo ao Comida Saudável pra Todos. E esse apoio tornou possível posts como esse! MUITO OBRIGADA! 😄 Se quiser apoiar também, clica aqui. 
  • Broa de milho e os transgênicos
    Demorou, mas aqui está. Podia ter publicado essa receita há décadas, mas queria aproveitar o milho pra falar de transgênicos. Achei que fosse ser rápido, mas comecei a estudar, estudar mais, depois inventei de ler artigos, ir atrás da lista dos deputados que votaram a favor da PL pelo fim da rotulagem dos transgênicos, e esse post virou uma novela. Entrei em crise. Fiz um post imenso, cheio de gráficos e links de pesquisas, de reportagens, que levou dias. Aí repensei. Acho que estamos todos cansados de tanta informação nesse período eleitoral e um post mais enxuto, com uma linguagem menos pesada, pode chegar a mais gente! Foi isso que fiz então. PRA COMEÇO DE CONVERSA O que são os transgênicos? São seres vivos que tiveram seu material genético modificado artificialmente, ou seja, pelas mãos de um homem. Com o diferencial de que tiveram o gene de outra espécie adicionado ao seu gene. No Brasil, os maiores representantes dos transgênicos são a soja, o milho, o algodão e a cana de açúcar (recentemente). Isso quer dizer, em linhas gerais, que estamos comendo uma pamonha bem diferente da que a nossa avó comia. Ela não foi feita a base de uma espiga de milho que nasceu de uma semente ancestral.  Quando começou esse negócio? O primeiro alimento que passou por esse processo e chegou ao supermercado foi o tomate. Isso aconteceu em 1994, nos Estados Unidos. A justificativa da empresa criadora do tomate modificado foi que ele demoraria mais pra estragar. Qual é a situação no Brasil? Segundo o relatório mais recente do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações Agrobiotécnicas, de 2017, a nossa situação atual é essa: 96, 5% da soja; 88,4% do milho e 78,3% do algodão produzidos no Brasil já são transgênicos. Quem aprova o uso dessas sementes por aqui é uma comissão do Ministério da Ciência e Tecnologia, chamada CTNbio. Até julho de 2017, esse grupo já autorizou 67 plantas transgênicas para cultivo no país.  Por que a gente deve se preocupar com esse assunto? Primeiro, porque ele envolve 3 temas importantíssimos pro planeta.  1) economia: investir em transgênicos significa deixar a alimentação de países do mundo inteiro reféns de 6 empresas donas das sementes, que lucram absurdamente para fornecê-las. 2) fome: os defensores dos transgênicos argumentam que eles são a solução pra fome mundial. 3) saúde pública: ainda não sabemos o impacto que esses alimentos geneticamente modificados podem causar pra saúde porque é um assunto muito novo, ainda não deu tempo de termos evidências científicas. O que já se sabe sobre esse assunto no Brasil?  A Embrapa e os reis da soja defendem que as sementes transgênicas são a salvação das lavouras. Espie o posicionamento da Embrapa aqui. Do outro lado, há ambientalistas e pesquisadores que argumentam que os transgênicos tendem a causar um grande desequilíbrio no meio ambiente, além de não ser tão benéfico para o produtor rural. Como mostra essa pesquisa da Unicamp. A toxicologista da Fiocruz Karen Friedrich, nesta reportagem da BBC Brasil, defende outro ponto importante: que os transgênicos não diminuíram o uso de agrotóxicos, como muita gente diz por aí. Pelo contrário. Em geral, as sementes transgênicas são vendidas em combo, em parceria com os defensivos. De onde vêm as sementes transgênicas? Esse é um dos principais pontos levantados pelos pesquisadores que criticam a transgenia. São poucas empresas no mundo que fabricam essas sementes. E olhe que interessante: são as mesmas empresas que produzem os agrotóxicos. São elas: as alemãs Bayer e Basf, as americanas Dow Chemical, DuPont e Monsanto, e a suíça Syngenta. Juntas, essas 6 empresas são donas de 66% do mercado de sementes transgênicas e 76% do mercado de agrotóxicos. Então funciona assim: quando a gente compra essas sementes pras lavouras brasileiras, a gente tá patrocinando esse monopólio.  Tem países que proíbem o plantio de sementes transgênicas? Sim. França, Alemanha estão entre os 19 países da União Europeia que baniram os transgênicos da agricultura.  O que é o Projeto de Lei 4148/2008, também chamado de PL da rotulagem dos transgênicos? Qualquer produto industrializado que tenha algum alimento transgênico na composição, como o milho num pacote de salgadinho, precisa ter aquele selo amarelo, com um triângulo e o “t” dentro na embalagem. Isso vale desde 2003. É uma forma de dizer ao consumidor o que ele tá comprando. Mas, o Projeto de Lei 4148/2008 quer acabar com a obrigação desse selo. O projeto já foi aprovado na Câmara dos Deputados e agora aguarda votação no Senado. Quer saber detalhes desse projeto, espia aqui. Como cada deputado votou? Quem votou SIM, votou pra gente perder o direito de saber o que estamos comprando! Pra saber o voto de cada deputado, espia esse link. A lista está organizada por partidos políticos. Ah! Inclusive tem candidatos à presidência nessa lista. PRA SABER MAIS Esse compilado pode parecer superficial, mas a ideia desse espaço não é ser uma revista científica, né? Eu sou jornalista, não posso fazer muito mais do que reunir informações a partir de fontes minimamente confiáveis e resumi-las. Se você já costuma ler sobre esse assunto, recomendo os seguintes materiais pra aprofundar mais os teus conhecimentos. – Essa é a lei brasileira que regulamenta o uso de sementes transgênicas. – O documentário “O mundo segundo a Monsanto” é obrigatório pra todo mundo que se interessa em saber o que come. – Nesse relatório, em inglês, a Organização Mundial de Saúde responde a dúvidas sobre os transgênicos. RECEITA – Broas de milho com resíduo de leite de coco – R$ 4,58 Mais uma vez fica a comprovação de que preciso de um curso de fotografia de comida. Como eu, Juliana, não confio em alimentos transgênicos, tento comprar produtos naturais sempre que posso. No caso da receita de hoje, usei uma farinha de milho orgânica e não transgênica que ganhei de uma amiga. Ela trouxe diretamente de um assentamento do MST no Rio Grande do Sul. O que amo nessa receita é que ela leva o resíduo de leite de coco, que sempre tenho toneladas em casa, já que faço leite desse fruto toda semana. Rendeu 30 mini broas e elas podem ser congeladas ainda cruas por até 3 meses. Ingredientes ⠂1 xícara e 1/2 de farinha de trigo ⠂1 xícara e 1/2 de fubá ⠂1 xícara de açúcar demerara ⠂3/4 de xícara de resíduo de leite de coco bem sequinho (escorra bem!) ⠂1/2 xícara óleo de girassol ⠂1 xícara de leite vegetal ou água ⠂1 pitada de sal ⠂1 colher de fermento pra bolo (ou 1 colher de sopa de vinagre de maçã + 1 colher de café de bicarbonato de sódio) ⠂canela a gosto (opcional) Observação: já fiz a mesma receita com farinha de aveia em vez de farinha de trigo. O sabor fica o mesmo, mas a textura fica meio pegajosa. Parece uma bolachinha, não broa. A substituição fica a teu critério. Como eu fiz Pré-aqueci o forno por 15 minutos. Misturei os ingredientes secos primeiro, depois os líquidos. Por último, o fermento. Fiz bolinhas pequenas e gordinhas com as mãos e coloquei numa assadeira untada. Dei uma leve achatada em cada uma com a colher. Salpiquei canela por cima e levei pro forno por 35 minutos a 200 graus. Observação: quando tirar do forno, vai parecer que as broas ainda tão meio molengas. Mas pode confiar que elas vão endurecer ao esfriar. Não deixa muito tempo no forno porque vão ficar duras feito pedras! Eu já fiz isso várias vezes, inclusive. Ah! Como muita coisa se perde nas redes sociais eu comecei a mandar as novidades do Comida Saudável pra Todos por e-mail. Vêm alguns cursos em SP por aí e mais algumas novidades pro Brasil inteiro. Não quer perder? Preencha esse formulário com os teus dados.