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Como analisar rótulos – parte 2 (aditivos alimentares)

Quando comecei essa série sobre análise de rótulos, recebi dezenas de mensagens assim “mas e a periferia?”, “e as pessoas que não têm poder de escolha?”. A gente precisa ter noção das desigualdades desse país, sem dúvida, mas também precisa cuidar pra não reproduzir uma lógica colonizadora e preconceituosa. Quem disse que as pessoas periféricas, com toda a sua diversidade, não tão buscando informação e construindo as suas próprias saídas?

E outra. Eu sempre ressalto que escolhas individuais não transformam o mundo, viu? Não votei no Partido Novo. hahahaha Então eu não defendo que todo mundo compre a sua couve orgânica, tempere seu yakissoba com molho shoyu natural e seremos felizes pra sempre. Eu mesma que trabalho com esse tema, tenho acesso a orgânicos, cozinho horrores, ainda consumo algumas coisas super industrializadas. E, como já falei mil vezes, o convívio social é importantíssimo pra gente. E eu nunca deixo de ir à casa de alguém ou sentar com pessoas em algum lugar porque ali só tem cerveja de milho transgênico ou catchup com aromatizante.

Em vez da gente entrar numa paranoia de busca por uma alimentação perfeita, porque ela não existe e isso pode levar a transtornos alimentares, que tal fazer o nosso possível e nos juntarmos pra mudar as questões mais estruturais? Em casa a gente pode pensar na ideia de “reduzir danos”, dentro dos nossos limites de tempo, renda, etc. Fora isso, partimos em busca das transformações mais estruturais, como acabar com as isenções de impostos pra indústria de refrigerantes; aprovar os alertas nos rótulos; criar políticas de apoio aos agricultores familiares e agroecológicos (pra reduzir o preço dos alimentos mais saudáveis); aprovar e fazer cumprir leis mais rigorosas pra grande indústria. Beleza?

Resumindo: minha intenção aqui não é fazer terrorismo. Não é pra você ter um ataque de pânico a cada ida ao supermercado, muito menos sentir repulsa dos produtos alimentícios, viu?

Enfim, bora começar. Se você ainda não leu o primeiro texto dessa série, espia aqui pra não ficar comendo mosca e não passar mais perrengue na hora de decifrar uma embalagem de comida. E agora chegou o momento de entrarmos no submundo daqueles nomes estranhos que aparecem na lista de ingredientes: os aditivos alimentares. Aliás, obrigada, Idec, por estar junto comigo nessa mais uma vez!

Deixa só eu fazer mais um parênteses rapidão. Ninguém vai comer menos corante caramelo IV enquanto não tivermos uma divisão justa de tarefas domésticas. Chega de sobrecarregar as mulheres com a carga mental da alimentação da família. Já deu! 2020! O 5G tá aí. Tá cheio de gente que veste o boné da reforma agrária, critica os impactos ambientais gerados pelas mega corporações, mas que nunca picou uma cebola ou não faz ideia do que tá faltando na geladeira.

O que são os aditivos, exemplos e funções

Vamo pro começo desse papo então. Sabe quando você olha pra uma lista de ingredientes de qualquer coisa, como um óleo de girassol, um pão de fatia ou um pote de sorvete e encontra vários nomes estranhos, alguns que até acompanham uns números às vezes, e você se sente nas aulas de química do colégio? Então: esses são os nossos amigos aditivos alimentares, também conhecidos como “aditivos químicos”.

Até o momento a Anvisa já aprovou o uso de 315 deles nos alimentos brasileiros. Eles tão nos pacotes, garrafas, vidros e caixinhas com vários objetivos: fazer o produto durar mais tempo, ganhar uma cor mais bonita, um cheiro mais atrativo, uma textura mais macia, mais encorpada, regular a acidez, pipipi popopó.

Tabela extraída desse material do Idec.

E é muito importante entender algumas funções básicas deles pra não cair em roubadas ou achar que todos são monstruosos. Não são. Um regulador de acidez, como o acidulante ácido cítrico, muito comum em molhos de tomate, até naqueles mais naturais, é incomparavelmente mais seguro e ok do que um corante artificial, entende? Além de evitar o máximo de aditivos na alimentação, a gente precisa ter mais atenção com esses da lista acima que fazem parte da categoria “transformadores”. Peraí que já vou explicar melhor.

Não tem nada de errado em querer fazer os alimentos durarem mais, ter um aspecto mais colorido ou uma textura mais homogênea. A gente já usa ingredientes naturais pra mudar as características dos alimentos ou conservá-los por mais tempo há milhões de anos, né? O açúcar faz a geleia durar meses, o sal faz as carnes não estragarem tão rápido fora da geladeira e o inhame, principalmente cozido, atua como um espessante natural em sopas, cremes, vitaminas, doces, coberturas de bolos. Quem nunca jogou um pouco de urucum ou cúrcuma pra deixar a farofa menos pálida? Os dois são corantes naturais, assim como a beterraba.

O pulo do gato nesse assunto é o OBJETIVO da empresa ao usar os aditivos químicos nos alimentos. Esses que pertencem à categoria dos “transformadores”, como corantes, aromatizantes, realçadores de sabor, melhorador de farinha, tão ali pra contar mentirinhas, pra fazer de conta que o conteúdo daquela embalagem se parece com algo que a gente já conhece. Por exemplo: todo mundo sabe o que é um sorvete de chocolate, né? As bonitonas da empresas querem gastar o mínimo de grana possível pra fabricar o negócio. E assim ter um lucro maior. E aromatizante e corante caramelo são muito mais baratos do que usar cacau em pó ou um chocolate em barra. Então a empresa diz que ali tem chocolate, mas só tem produtos químicos que fazem de conta que são chocolate.

A mesma coisa acontece com um hambúrguer vegetal ultraprocessado. Ali não tem “lentilha” ou “ervilha”, ou “feijão”, como a versão que a gente faz em casa. Tem apenas a proteína isolada dessas leguminosas + muita gordura pra dar textura + 2 milhões de aditivos pra ajudar com sabor, cor, maciez… É por isso que eu amo chamar os alimentos ultraprocessados de “mentiras empacotadas”. A gente consegue decifrar quão fake é aquele produto só pela quantidade de aditivos ou alguns específicos, que escancaram a falsidade.

Na minha humilde opinião, “aromatizante” é uma coisa que já entrega a qualidade do produto, né? Tento ao máximo não comprar nada aromatizado artificialmente porque acho um grande desrespeito, um despautério, uma afronta à diversidade de temperos e alimentos maravilhosos que temos no Brasil. Mesma coisa com os realçadores de sabor, mas peraí que vem um tópico só sobre eles aí embaixo.

Resumindo, o principal que você precisa saber até agora é que nem todo aditivo é o fim do mundo e eles costumam aparecer de forma mais abundante nos ultraprocessados, que são aqueles alimentos muito distantes do que a gente reconhece como comida, tipo miojo, refrigerante, suco de pozinho, gelatina, salgadinhos… E lembra que a gente já tinha mil motivos antes pra evitar os ultraprocessados, né? Excesso de sal, açúcar, gorduras, as grandes empresas por trás deles, a quantidade de recursos naturais usados pra fabricar essa galera… Beleza?

Pra fechar essa parte, existem duas definições oficiais de aditivos alimentares.

Definição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão do Ministério da Saúde: “aditivo alimentar é qualquer ingrediente adicionado intencionalmente aos alimentos, sem propósito de nutrir, com o objetivo de modificar as características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais (…)”.

Definição da Organização Mundial de Saúde (OMS): “qualquer substância que enquanto tal não se consome normalmente como alimento, nem tampouco se utiliza como ingrediente básico em alimentos, tendo ou não valor nutritivo, e cuja adição intencional ao alimento com fins tecnológicos (incluindo os organolépticos) em suas fases de fabricação, elaboração, preparação, tratamento, envasamento, empacotamento, transporte ou armazenamento, resulte ou possa preservar razoavelmente por si, ou seus subprodutos, em um componente do alimento ou um elemento que afete suas características”.

Como aparecem nas embalagens dos alimentos

Os aditivos sempre precisam aparecer no fim da lista de ingredientes das embalagens, é lei! Também na moda encontrarmos rótulos com frases em destaque assim “não contém conservantes”, “livre de aromatizantes”, etc. Isso significa que essa categoria específica não bateu cartão no alimento. Mas não deixa de olhar a lista de ingredientes pra ver se existem outros aditivos.

Muitos produtos também usam o Sistema Internacional de Numeração (INS), principalmente os importados. Então não se assuste se encontrar umas siglas com uns números em vez do nome específico do aditivo químico. Não é armadilha da indústria não! Se uma garrafa de vinho, por exemplo, circula por vários países a empresa precisa informar a função do aditivo + o seu nome ou o seu código INS. Então na lista de ingredientes do vinho, por exemplo, você pode encontrar um aditivo assim: “conservante ácido sórbico” ou “conservante INS 200”. É a mesma coisa.

Por que se preocupar

Como já falei aí em cima, o grande número de aditivos já denuncia que se trata de um produto ultraprocessado. E lembra que o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde (saudades do tempo em que existia ministro da saúde, né, minha filha?) recomenda evitá-los ao mááááximo, sempre que possível.

Mas não é só isso. Por mais que alguns engenheiros de alimentos, gastrônomos e umas pesquisas garantam que os aditivos são “seguros”, isso tá longe de ser um consenso científico. Quando eu comecei a estudar esse tema, me lembrei muito da questão das sementes transgênicas, sabia? Porque a lógica absurda é parecida. A gente libera as substâncias porque não existem evidências científicas que comprovem os malefícios do consumo no curto prazo. Mas não deveria ser o contrário? A gente não deveria liberar só aquilo que tivesse certeza absoluta de ser ok?

Os pesquisadores e profissionais da saúde mais críticos ao consumo de aditivos nas bebidas e alimentos têm outro argumento válido: os estudos já publicados só analisam os aditivos isoladamente, mas não combinados num mesmo produto, muito menos o consumo frequente por um longo período. Mas a gente sabe que eles são substâncias que nunca andam sozinhas nos produtos. Então não temos noção do efeito do consumo de 1 edulcorante + 2 aromatizantes + um realçador + um melhorador de farinha juntos.

Pensa aqui comigo. Vamo imaginar um hambúrguer completo. Na lanchonete ou em casa a gente coloca na mesma refeição um pão comprado pronto pra hambúrguer com alguns aditivos + o próprio hambúrguer congelado com corante, aromarizante, etc + catchup com espessante e tal + maionese com antioxidantes, sequestrante… A ciência ainda não apontou que que pode rolar no nosso corpo a partir desse bombardeio de aditivos consumidos juntos, com frequência, por pessoas de todas as ideias.

Outra coisa. E o consumo dessas substâncias em populações mais vulneráveis, que já comem menos alimentos frescos, como frutas e legumes, por causa do preço e da falta de acesso, hein? E que já lideram o ranking de diabetes e hipertensão? Sobre esse tema, recomendo muito que você leia esse texto sobre o nutricídio das pessoas pobres e negras em tempos de coronavírus.

As gerações que vêm deixando de comer comida pra se alimentar de mentiras empacotadas são recentes. E a gente sabe que o consumo desses produtos não para de crescer na América Latina, especialmente nas crianças, né? Então não dá mesmo pra dizer que não tem problema, é tudo seguro, vamo deixar os pequenos comerem toddynho e fangandos em paz! Não!!! Muito menos que tudo isso se resolve apenas com informação e conscientização das pessoas!

Com isso bem claro, bora falar dos aditivos que já tão BEM relacionados a problemas de saúde? A grande maioria pertence ao grupo dos corantes artificiais. De longe, são as substâncias químicas mais preocupantes de acordo com os estudos já publicados. A gente já tem indícios que o consumo regular deles pode causar especialmente doenças estomacais, respiratórias e alergias na pele.

O trio mais preocupante é esse aqui, super presente nas balas, chicletes coloridos, refrigerantes e salsichas: tartrazina, o corante amarelo crepúsculo e o corante vermelho 40. Vários países do mundo proibiram o uso deles nos alimentos, já que temos estudos que apontam até um potencial cancerígeno nessa galera aí.

Mas ninguém na família dos corantes é capaz de desbancar a péssima fama do corante caramelo IV, responsável pela cor escura dos refrigerantes à base de cola, por exemplo. O processo de preparo dele não tem nada a ver com o caramelo que a gente faz em casa com açúcar. Ele é feito a partir da mistura do açúcar com elementos ácidos e amônia submetidos a grande pressão e alta temperatura. Daí que surge a cor escura junto com vários subprodutos prejudiciais à saúde.

O Programa Nacional de Toxicologia dos Estados Unidos apontou que um dos subprodutos resultados do processo de preparo do corante camarelo IV pode causar câncer de pulmão, fígado, tireóide e leucemia. Por conta desse potencial cancerígeno, a Anvisa exige que as empresas brasileiras não extrapolem 200 miligramas dessa substância em cada quilo de alimento. Mas essa quantidade ainda é quase 700 vezes maior do que a permitida na Califórnia (EUA).

Pra você ver, né? Não somos o lixo tóxico do mundo apenas quando o assunto é agrotóxico. Um teste feito por um instituto dos Estados Unidos com latas de Coca Cola vendidas em diversos países mostrou que aqui, a terra da mandioca, esse refrigerante ostenta a maior concentração da substância potencialmente cancerígena presente no corante caramelo IV. E a gente tá muito acima do Quênia, que ficou em segundo lugar. É surreal! Saiba mais detalhes aqui.

Pra fechar esse quadro desesperador, vamo pra outra categoria de aditivos agora. Um estudo da Universidade de Southampton, na Inglaterra, apontou que o consumo de benzoato de sódio, um conservante super comum, além dos derivados do ácido benzóico, os sulfitos e os ácidos sulfúricos, podem ajudar no desenvolvimento de hiperatividade e déficit de atenção em crianças.

Observação: as informações sobre a relação dos aditivos e problemas de saúde foram tiradas desse estudo da Fiocruz em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Clique aqui pra acessá-lo.

O caso dos edulcorantes (adoçantes artificiais)

Adoçantes são combinações de edulcorantes usados pra adoçar alimentos ou remédios. Até os anos 1970, mais ou menos, eram um tipo de produto consumido apenas por pessoas com necessidades nutricionais especiais, como os diabéticos. Mas você acha mesmo que a indústria das dietas, dessa onda fitness, não viu um potencial bilionário nesse mercado?

Começou com o modismo dos produtos light e diet. E minha deusa! Como eu torrei meu dinheiro com isso! Depois ficou feio e cafona falar “light” e virou “zero”. Mas agora parece que cada mês vem uma novidade adoçantística. A última é a moda do xilitol e do eritrol, né? E não aguento mais gente dizer que não come 1 pedaço de bolo com açúcar, mas depois come a torta inteira só porque tem xilitol.

No geral, não há consenso científico sobre os perigos dos edulcorantes, mas também não sabemos se são seguros quando associados a outros aditivos químicos. O aspartame segue sendo demonizado aqui, com estudos apontando potencial cancerígeno, e defendido ali. Também já temos indícios de que manitol, xilitol e sorbitol podem gerar perda de cálcio no corpo e favorecer a formação de cálculos renais.

Outra informação importante é que gestantes, hipertensos e portadores de problemas renais precisam ter o dobro de cuidado com o uso dessas substâncias. Elas possuem MUITAS contraindicações, ok? E aquela coisa, né? Se você não tem problemas de saúde, não tem por que trocar um pouco de açúcar por adoçantes. Além de que temos uma oferta gigantesca de frutas, ervas e temperos que também potencializam o sabor doce nos alimentos. Quer fazer um bolo com pouco açúcar? Usa banana bem madura também. Quer adoçar um suco de uma fruta muito azeda? Bata uma maçã junto. O chá de erva doce e o de chá de estévia também trazem o sabor adocicado.

Para informações mais completas sobre os edulcorantes, clique aqui.

A polêmica do glutamato monossódico

Esse bonitão aí rende um livro, mas vou tentar resumir ao máximo. Não existe nenhum aditivo químico mais comentado do que o glutamato, né? Aquele pó branco da empresa Ajinomoto presente no sazón, caldo knoor, na maior parte das marcas de molho shoyu, em salgadinhos, etc.

A má fama dele começou por um péssimo motivo: xonofobia. Sim, até hoje os Estados Unidos inventam formas de demonizar a China. E foi a terra do Trump que começou a onda xenófoba da “síndrome do restaurante chinês.” A galera começou a dizer que sempre sentia fraqueza, suor, dor de cabeça ou tontura quando comia em restaurantes de yakissoba e amigos. O motivo? O uso do tal glutamato monossódico. Mas esse povo esqueceu que já comia muito glutamato em diversos produtos ultraprocessados.

Enfim, pesquisar o glutamato monossódico de forma isenta e imparcial é um ato de coragem! Isso porque sua indústria bilionária faz muita pressão e financia muita produção científica no mundo todo. Você já ouviu essa história antes, né? Mesma coisa que a Coca e a Nestlé fazem. Só a Ajinomoto patrocina pesquisas de mestrado e doutorado, banca congressos e entrega prêmios científicos. Até pouco tempo atrás a Ajinomoto financiava teses da Faculdade de Saúde Pública da USP. É inacreditável!!

Mas, enfim, o glutamato tá na mesma linha do aspartame: não há consenso até hoje. Os estudos que geraram indícios de problemas decorrentes do seu consumo citam doenças respiratórias e do sistema nervoso, especialmente em recém-nascidos e pessoas com histórico de doenças. Por outro lado, os trilhões de pesquisas bancadas pela indústria garantem que ele só é perigoso se usado em doses exorbitantes. Só que e a questão de consumirmos o bonitão combinado com outros diversos aditivos, hein? Não sabemos!

Pra fechar, conversei com vários nutricionistas sobre o assunto e a opinião da galera foi unânime: a gente deve evitar ao máximo as coisas com glutamato ou outros realçadores de sabor. Os motivos?

1) Eles nunca vêm sozinhos. Sempre tão juntos de outra dezena de aditivos;

2) De todos os aditivos mais comuns, essa categoria é a mais hiperpalatável, ou seja, gera muito prazer no paladar. Esses realçadores fazem artificialmente a função do sabor “umami”, né? Aquele que faz todos os sabores harmonizarem na nossa língua. Taí outro pulo do gato. Quando a gente come muitos alimentos ultraprocessados, com esses realçadores artificiais combinamos a muita gordura, sal e açúcar, o nosso paladar se acostuma, ama, e quer pedir sempre mais, mais mais. Pra piorar, começaremos a estranhar os alimentos mais naturais, achar sem graça, pouco temperado.

Parece que eu acabei de descrever a minha infância! hahaha Eu comia muito, mas muito miojo (cheio de realçadores de sabor). Aí quando ia comer um simples macarrão com molho de tomate caseiro, achava que era comida de hospital.

Enfim, pra saber mais detalhes sobre as polêmicas que envolvem o glutamato e o modismo da comida com “umami”, espia essa reportagem excelente do Joio e o Trigo.

Os vinhos industrializados

Sim, o vinho que a gente bebe hoje não tem nada de artesanal e romântico. Tá cheio de aditivos. Alguns, inclusive, nem precisam aparecer na lista de ingredientes de acordo com as legislações da Anvisa. Mas não vou entrar em detalhes aqui porque esse texto tá gigantesco já, porque bebidas não são o meu objeto de estudo no Comida Saudável pra Todos e tem bastante conteúdo sobre isso na internet. Recomendo começar por esse aqui, do site Gastrolândia, da jornalista Ailin Aleixo.

É isso! Acabamos por hoje. O próximo texto da série vai ser sobre processos e alimentos que a gente não consegue entender só pelos rótulos, como “água de coco reconstituída“, “açúcar invertido” e “proteína isolada“.

E não esquece, né? A gente tá junto aqui. No Instagram. No supermercado. Nas feiras e na construção de outro sistema alimentar.

Observação: Além de agradecer o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, o Idec, que me ajudou a elaborar e financiou esse texto, deixo um abraço especial pras nutricionistas Roberta Machado, que me mandou vários estudos e pra Cris Maymone, que sempre me ajuda a não falar bobagem.

2 Comments

  • Rosane Mioto

    “A gente libera as substâncias porque não existem evidências científicas que comprovem os malefícios do consumo no curto prazo” me lembrou a polêmica toda em torno da vacina russa. Enfim, a hipocrisia…

  • Danielle

    Que aula! Achei que você conseguiu cumprir bem o objetivo: Informar sem praticar terrorismo. Li as duas matérias agora (após ler as colheradas de agosto) e só consegui para de ler quando concluí as duas matérias da série :D. Sua escrita é maravilhosa. Parabéns, Ju e sucesso <3

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