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Guia básico para plantar comida em vasos

Não, eu não sou a rainha das hortas. Aliás, até suculenta já matei hahaha! Não me formei em nenhuma faculdade da área de ciências da natureza, nem tenho cursos de extensão no currículo. Tudo o que vou escrever aqui eu acumulei com base em 3 tipos de conhecimentos: leituras (especialmente a tia Ana Maria Primavesi); conversas com pessoas que plantam ou trabalham com isso; e com os desastres e acertos que acumulei em anos plantando em apartamento ou aqui no meu quintal de casa.

Que princípios regem a nossa horta?

Antes de começar, a gente precisa ter uma conversa bem sincerona: existem várias formas de plantar espalhadas por vários livros, canais de youtube e conselhos dos vizinhos. Eu não vou te trazer uma “certa”, apenas aquilo que acho mais acessível e coerente com o mundo pelo qual eu luto. Nesse mundo, eu excluo completamente os inseticidas, por exemplo.

Sim, gente, pelo amor da Nossa Senhora da Comida Sem Veneno, não adianta comprar couve orgânica e passar veneno pra formiga na sua horta ou na sua casa. Formigas não são pragas, mas indicadores biológicos. Se elas tão fazendo a festa na sua casa e jamais deixam um brócolis desenvolver, é sinal de que tem alguma coisa pegando aí. Em geral, os desequilíbrios são no solo e mais pra frente vou falar sobre isso. A gente não deixa mais espaço pras formigas formarem seus lindos túneis subterrâneos. Primeiro porque a gente asfalta e cimenta tudo! Segundo porque transformamos grande parte do mato e florestas desse país em pasto. E toda região de pasto vai ter desequilíbrio de formiga porque a pata do boi compacta o solo, ou seja, as bonitinhas não conseguem cavar seus túneis e ficam apenas na superfície da terra.

Outra coisa: eu evito ao máximo plantar com sementes híbridas. Não existe nenhum problema de saúde em relação a elas, não são a mesma coisa que a as transgênicas, maaaaaaas, elas não são sustentáveis a longo prazo e deixam o agricultor muito dependente de ficar comprando semente sempre. Se você não sabe, as plantas híbridas geram sementes que não são férteis, ou seja, não podem ser replantadas. Poder replantar até pode, mas ela não vai se desenvolver como seus pais. Então, resumindo, eu acho muito mais coerente que a gente plante um feijão ou uma salsinha que sempre podem ser replantados. É mais sustável, econômico e dá mais autonomia à galera que planta, beleza?

Então, se você quiser entender melhor o “tipo de horta” que vou explicar e dar as dicas aqui, vou tentar resumir assim: vamo partir dos princípios gerais da agroecologia, vou evitar plantas híbridas e também não vou usar nenhum tipo de adubo de origem animal porque sou vegana. É óbvio que eu compro comida na feira de produtores que usam esterco de vaca e casca de ovo pra plantar, mas se eu posso escolher na minha casa e é super possível plantar só com insumos de origem vegetal, vamboraaaaaa! 😉

O que é agroecologia?

É uma ciência focada nos princípios e práticas ecológicas, considerando também aspectos sociais e culturais, que resultam em um modelo de desenvolvimento agrícola sustentável. Um pedaço de terra que produz comida de forma agroecológica se preocupa em regenerar e preservar os ecossistemas naturais; respeitar os processos naturais e sazonalidades; valorizar o conhecimento tradicional dos trabalhadores rurais, comunidades e povos originários; preservar a sociobiodiversidade, a soberania e segurança alimentar; utilizar recursos orgânicos, renováveis e locais para manejo da produção.

Em resumo: na agroecologia não tem esse negócio de monocultura, de usar agrotóxicos e fertilizantes químicos, nem de chamar as plantas de “pragas” ou “ervas daninhas”. É uma outra relação com a natureza, entende? Não é só deixar de usar veneno. Em resumo, taí uma alternativa maravilhosa pra alimentar o mundo sem destruir o planeta.

Por que plantar em casa, hein?

Meu anjo, pra economizar grana, especialmente com temperos que duram pra sempre, tipo alecrim; pra comer menos veneno; pra chorar baldes vendo a natureza dar uma aula nas nossas fuças; pra se reconectar com os saberes e conhecimentos ancestrais; pra valorizar o trabalho do povo da roça; pra unir a vizinhança, família e amigos; pra espalhar a palavra da agroecologia por aí com evidências concretas e darmos, juntos, uma surra no senhor agronegócio e toda a sua ideia de progresso embutida! Chorem, ruralistas!

Dona Neide Aparecida, minha mãe, colhe alface e couve quase o ano todo numa varanda minúscula no 13 andar! Só falta cobrir essa terra!

Materiais necessários pra começar uma horta

VASOS. Isso aí depende do que temos à disposição na sua casa e na sua região. Posso te ajudar com algumas orientações básicas: tudo é possível. Não precisa gastar 2 rins comprando belos vasos de cerâmica em shoppings de plantas gourmets. Esquece os programas do GNT! Pensa aí no espaço que você tem na sua casa que pegue, pelo menos, 4 horas de sol por dia o ano todo! Se não temos essa opção aí, bora pensar no canteiro do prédio ou num espaço na casa de um vizinho, etc. E vamo avaliar o que cabe aí. Cabe uma caixona de isopor, dessas que as peixarias descartam todos os dias? Uns caixotes de madeira? Tem uns baldes sobrando? Uma caçamba dando sopa? Umas caixas daquelas de plástico de feira? Tem umas panelas grandes lascadas e sua tia quer jogar no lixo? Tudo isso é possível DESDE QUE você faça uns furos embaixo do material! A água precisa escoar! Essa é a primeira lei básica do plantio em vasos: não importa a superfície escolhida, tem que ter furos embaixo! Aqui eu arrumei um pedaço de uma caixa d’água que tava na rua à espera do caminhão de lixo. Aí a gente pegou a furadeira e fez uns furos embaixo.

Vou começar minha nova hortinha aqui. Esse tonel tem 87cm de largura, 54cm de comprimento e 34cm de profundidade. Coloquei esse negócio de madeira embaixo pra ficar mais fácil de mudar de lugar depois. Nesse local as plantas vão pegar o sol da tarde agora no verão.

Outro ponto importante. pra conseguir plantar raízes, como cenoura, nabo e beterraba, você vai precisar de um vaso de pelo menos 40cm de profundidade, tá?

Observação. num mundo ideal, seria lindo evitarmos superfícies de plástico, isopor e pneu. Mas esses materiais tornam a possibilidade da horta caseira mais barata e possível porque são facilmente encontrados em caçambas, no lixo, de graça. E num mundo capitalista a gente faz o possível, não o perfeito.

PRA DRENAGEM. Além de ter furos, o tipo de vaso que você escolher precisa ter uma camadinha no fundo de argila expandida ou pedras ou pedaços de isopor cortados. Tem que ser um material resistente, que não vai ser absorvido pela terra, como as cascas de pinus, tá? Essa etapa é da mais profunda importância porque ajuda a água a escoar bem, a evitar que as raízes apodreçam ou que caracóis e lesmas, amantes fiéis da umidade, façam a festa nos seus vasos.

Nesse super vasão aqui eu usei umas telhas quebradas pra fazer a drenagem do vaso. Ah! Não é pra cair terra embaixo da drenagem, né? Eu levantei a manta pra tirar foto e caiu muita terra. Depois tive que arrumar tudo de volta. hahaha

A MANTA DA DRENAGEM. Tem outra etapa importante agora pra garantir a felicidade suprema e saúde das nossas mudinhas comestíveis. A gente precisa colocar alguma coisa pra evitar que as raízes das plantas alcancem as pedras da drenagem quando crescerem e corram o risco de apodrecer. Pode ser um pedaço de TNT, meias velhas, retalhos de roupas, pano de prato furado, uma manta fininha ou qualquer tecido fininho que respire, tá? Aqui eu tô usando uma manta de bidin. Tem gente que também recomenda colocar um pouco de areia acima dessa manta, antes da terra, pra evitar que a terra fique compactada com o tempo. Essa ideia é bem legal, viu? E funciona horrores. Mas eu não vou usar dessa vez.

Dessa vez eu usei a manta de bidin

A TERRA. Não tem segredo. A gente precisa comprar terra em floriculturas, lojas de jardinagem ou conseguir terra com algum conhecido que tenha jardim, sítio, chácara, etc. A terra vai ocupar a maior parte do vaso, tá? Uma dica: se você arrumar uma terra meio caída com algum conhecido, é legal plantar girassol e feijão antes de qualquer coisa porque os dois funcionam como adubadores naturais. Os feijões são bem importantes pra terra porque eles fixam nitrogênio no solo, um nutriente fundamental pra que as plantas cresçam saudáveis.

ADUBO. Chegamos no mocinho que vai garantir os nutrientes que as plantas precisam. Sim, elas não crescem apenas com água e sol, tem que ter nitrogênio, cálcio e outras belezinhas da tabela periódica nessa terra. E eis aqui um universo imenso de possibilidades. Você pode comprar adubo já pronto com empresas de compostagem ou nas floriculturas e lojas de jardinagem. Ou você pode fazer o seu próprio adubo caseiro com cascas de comida, borra de café (receita aqui), etc. A proporção de adubo depende do tamanho do vaso e não é um grande consenso entre a galera que manja das plantações. Em geral, se recomenda 1 parte de adubo pra cada 2 partes de terra, beleza?

FERTILIZANTE NATURAL. Esse bonitão aqui tem a mesma função do adubo. Na verdade, também não existe consenso sobre as diferenças entre os dois. Conversei com amigos agrofloresteiros e composteiros, pesquisei artigos e reportagens e vou resumir o que mais ouvi: o adubo vai sendo absorvido aos poucos pela terra e o fertilizante libera os nutrientes mais rápido. Não tem melhor nem pior. Se possível, vá alternando os dois ao longo dos meses. E rola super de fazer o seu próprio fertilizante natural, com frutas fermentadas (receita aqui) ou babosa (receita aqui). Se tiver uma composteira em casa, fica mais fácil ainda. É só diluir em água o biofertilizante que o processo de compostagem gera sozinho e borrifar na terra. Ah! Você pode comprar fertilizantes sintéticos também, talvez a galera queira te enfiar goela abaixo na loja de jardinagem. Mas eu prefiro mil vezes as versões naturais, que sempre são mais ricas em nutrientes também.

Quando adubar/fertilizar os vasos: na hora de começar a horta (antes de colocar as mudas) e depois a cada 40 dias mais ou menos.

REGADOR. Agora tá fácil, né? Você vai observando a sua horta e avaliando. A terra deve estar sempre úmida. Nunca seca nem encharcada. Coloca o dedo na terra pra ver. Se o dedo não sujar nadinha, tá precisando de água! Se sair besuntado, você tá molhando demais. Ah! E a gente sempre molha a terra, não o caule ou as folhas das plantas, tá? hahaha

Observação: jamais, nunca, sob nenhuma hipótese, regue suas plantas na hora do sol. Tenta sempre antes das 8h e depois das 17h pra não cozinhar as bonitas, por favor.

MUDAS OU SEMENTES? Pra começar uma horta a gente precisa tomar essa decisão antes de qualquer coisa: mudas ou sementes? As hortas iniciadas com mudas já crescidinhas, compradas em lojas ou doadas por conhecidos, têm mais chances de dar certo porque as plantas tão mais fortes. Se você não tem experiência em horta e quer colher as plantas em breve, recomendo sempre começar pelas mudas. Por outro lado, começar pelas sementes é mil vezes mais emocionante porque a gente acompanha cada respiro das plantinhas. hahahaha Maaas, o trabalho aumenta, já que precisamos de uma etapa a mais: o berçário. Tem que criar um espaço de controle da germinação e crescimento das sementes, tipo uns potes de iogurtes, copos, caixa de leite, e que não pegue sol direto. Aí depende das espécies, mas o tempo entre o plantio da semente e a planta estiver crescidinha pra ir pra terra ou pro vaso pode levar de 15 dias a 1 mês mais ou menos.

Como a gente tá no verão agora, uma época bastante desafiadora pra iniciar uma horta, devido ao calor escaldante e à mega proliferação de insetos nessa época, eu decidi começar a minha horta por mudas mesmo. Feito o plantio, a gente tem chances de colher rabanete em 30 dias e alface em 45 dias já!

Se quiser começar por sementes, você vai precisar de um objeto desse tipo. Nesse caso da foto, eu plantei amendoins e esperei 40 dias até passar todas as mudas crescidinhas pra terra.

COBERTURA DE SOLO. Imagina que você tá numa floresta. Olha pra baixo e me diz o que você vê. Meu palpite é que você imaginou um chão cheio de folhas secas que vão caindo das árvores, né? Isso significa que a terra tá sempre úmida, fértil, alegrinha, protegida do sol, não encharca na chuva e não perde nutrientes facilmente. Então é esse cenário florestal maravilhoso que a gente precisa replicar na nossa horta: o solo sempre precisa tá coberto por matéria orgânica, ou seja, coisas secas e vivas: podas de árvores, folhas secas, casca de mandioca, casca de arroz, palha de milho, aquelas camadas roxas do coração da bananeira, palha, serragem. Pelo amor da Deusa do Bom Senso: tem que cobrir com algo que não sufoque a planta! Nada de plástico ou brita, hein? hahaha

Terra coberta = plantinhas saudáveis

O PLANEJAMENTO DA HORTA

O QUE PLANTAR. Vou dar logo a real: a natureza não tá aí pra servir aos nossos caprichos. Não é natural, saudável e sustentável comer manga o ano todo, produzir brócolis na região Norte, colher tomate e pimentão no inverno catarinense.

Então, começar uma horta não é sobre o que eu quero, mas sobre o que a natureza pode oferecer nessas condições que eu apresento. Beleza? O primeiro passo de tudo, antes de comprar terra e tal, é pesquisar quais plantinhas vão se desenvolver bem na minha região e nesses meses do ano. Depois, quais eu posso plantar no mesmo vaso e quais não se bicam ou quem gosta de ficar sozinha no vaso. Em seguida: onde eu planto cada coisa. Vamo por partes.

REGIÕES DO BRASIL/MESES DO ANO. pra uma horta caseira, a gente pode considerar as regiões Sul e Sudeste com condições semelhantes, especialmente por terem as estações do ano com mudanças mais bruscas de temperatura. As Regiões Centro Oeste e Nordeste também são alinhadas nesse sentido. E a região Norte é um pouco exceção pela quantidade de calor/umidade o ano todo, mas todos os calendários de plantio colocam o Norte no combo Nordeste + Centro-Oeste. E, claro, todos os estados do Brasil variam muito. Aqui em Santa Catarina, por exemplo, o litoral e a região oeste apresentam condições bem diferentes. Então eu não tenho como te dar uma lista fechada do que você deve plantar, tá? Precisa de pesquisa mesmo. Ah! Tem umas plantinhas que dão tão fácil, como cebolinha, mandioca, batata doce, que podem ser plantadas o ano todo em todas as regiões, tá? Abóbora (jerimum) também, com exceção da região de serra no Sul onde acontecem geadas. Nesse link você consegue acessar um calendário de plantio beeeem completo.

Mas, vou dar uma ajudinha extra. Vamo espiar o que plantar agora no verão por região?

SUL: beterraba, almeirão, rúculas, salsa, coentro, couve e feijões vagem.

SUDESTE: cenoura, pimentas, pimentões, alfaces e rabanetes.

CENTRO-OESTE: melancias, abobrinhas, tomates, milho, couve-flor e repolho.

NORDESTE: melões, pepinos, abóboras (jerimuns), berinjelas, abobrinhas e quiabos.

NORTE: melancias, cenouras, pimentas e quiabos.

CALENDÁRIO LUNAR. Se as fases da lua influenciam as marés, também influenciam os matos, o solo, tudo. Por isso, é importante plantar coisas que crescem pra baixo, como cenoura, batata doce, mandioca, nabo, etc, na lua minguante. Tudo o que cresce pra cima do solo tem mais chances de vingar quando plantado na lua crescente. A lua cheia é maravilhosa pra plantar flores! Já a lua nova é ótima pra fazer podas e adubações.

ESPAÇO: Sim, a gente precisa pensar em quem vai ficar do lado de quem na horta. Primeiro, plantas rasteiras, como hortelã e poejo, precisam ficar sozinhas em vasos porque elas tendem a dominar seus amiguinhos. Funcho também precisa ficar sozinho porque ele inibe o crescimento das compas. Outra dica importante é pensar na questão do sol: uma pode proteger a outra, mas não pode fazer sombra demais. Exemplo: se eu plantar duas mudas de milho ou feijão entre um agrião ou de um alface, a tendência é que os dois primeiros cresçam mais rápido e façam sombra demais nas hortaliças.

DIVERSIDADE. Tá aqui um ponto essencial! Não reproduza a ideia do agronegócio, que ama uma monocultura. Quanto mais diversidade, mais protegida vai estar a nossa hortinha. Então planeje o que vai plantar pensando em incluir ervas aromáticas + hortaliças, por exemplo. Se sobrar espaço, um feijãozinho, alguma raiz ou cúrcuma e gengibre também seriam um sonho. Pra nunca deixar a terra muito pobrinha, planeje a sua horta de uma forma que nunca precise colher tudo de uma vez! Ah! Muita gente prefere plantar vários vasos, cada um com uma muda, do que o bonde junto. Sim, é mais prático na hora de plantar. Não precisa planejar muito, nem pesquisar quem pode fazer sombra pra quem, se fulana se dá bem com ciclana… Mas, eu acho mais trabalhoso depois na hora de regar, colocar adubo, fertilizante natural. E também acho que juntas elas ficam mais fortes e protegidas.

ÁGUA. Nossas anjinhas têm necessidades de água diferentes! Então vamo sempre pensar em plantar no mesmo vaso quem tem afinidades aquíferas hahaha. Exemplos: alecrim, sálvia, tomilho, capim limão e lavanda gostam de pouca água e se dão bem em lugares mais secos. Já salsinha, cebolinha, hortelã, melissa, coentro e manjericão são mais beberrões. Sempre que tiver dúvida, pensa assim: quanto menor a folha, menos água ela gosta! Compara só uma alface com um tomilho. hahaha Muita diferença, né?

PLANTAS AMIGAS OU NÃO. Sim, como na espécie humana, o reino vegetal também não é 100% amor. hahahaha Nem todo mundo curte ficar ao lado de todo mundo. Tomate e couve-flor, por exemplo, devem ser evitados juntos, assim como feijão e berinjela. Alfavaca e arruda também não se bicam muito. Já o coentro e espinafre se ajudam horrores, se fortalecem. Cenoura + repolho + alface também rendem um ótimo trio! Espia algumas orientações abaixo.

PLANTAS PROTETORAS/REPELENTES. as ervas aromáticas e plantas medicinais também devem sempre dar as caras nos vasos de comida pra proteger a galera dos insetos comedores de horta, como lagartas e formigas. Arruda, manjericão, coentro, cebolinha, alecrim, losna, orégano, tomilho, sálvia ainda protegem os vasos e a terra de fungos e algumas doenças resultados de desequilíbrios. Hortelã e suas espécies diversas ajudam horrores, mas aí você me promete que vai podar e ficar de olho pra elas não dominarem tudo! Tá? Eu gosto muito, mas muito da dupla sálvia + alecrim! Aqui sempre deu dá muito certo. Juntos, eles afastam mosquinhas chatinhas, ajudam a afastar energias negativas, rendem chás perfeitos e são incríveis pra temperar legumes no forno. Mas atenção: elas não fazem milagre se a terra não tiver adubada, por exemplo! É só uma ajuda.

Não existem pragas nem ervas “daninhas”

Antes de sair borrifando óleo de neem, fumo ou chá de cavalinha em tudo, lembra que não é azar ou obra do acaso. As doenças ou ataques de insetos só surgem em plantas doentes ou em solos desequilibrados. Pouco/muito sol, pouca/muita água, falta de nutrientes, excesso de acidez, plantas de verão plantadas no inverno, tudo isso pode tá rolando aí. E você precisa estudar pra entender a causa, beleza? Não tem receita pronta e a natureza dá o seu jeito. A gente só precisa oferecer as condições.

Flores

Outra dica belíssima e cheirosa é ter vasos de flores perto dos vasos da hortinha. As flores atraem insetos polinizadores e outras fofuras que ajudam a controlar os insetos devoradores de comida. A margarida amarela, asclépia do brejo e a crotalária atraem libélulas, por exemplo, que se alimentam de pernilongos. Flores de cor vermelha são as preferidas do beija-flor.

Dicas pra ir além

A Alê Nahra (@alenahra) dá cursos maravilhosos de como começar a plantar e fazer compostagem com materiais possíveis e acessíveis. E a Alene de Godoy (@afroecologica) oferece uma chuva de conhecimentos diariamente sobre meio ambiente, plantas, calendário lunar, etc. Também aprendo horrores no canal de youtube Minhas Plantas e com os livros da Ana Maria Primavesi.

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5 Comments

  • Bárbara

    Aqui em casa sempre que eu compro um alimento orgânico eu broto ele ou separo as sementes e planto. Vira e mexe sobre sementes e mudinhas que distribuo para meus amigos e vizinhos. É uma forma legal de plantar alimentos orgânicos de maneira barata e fechando o ciclo.

  • Anna Gabriela

    Eu sempre planto jogando as sementes direto na terra, sem o berçário de sementes, e vingam normalmente. Qual a função do berçário? Pq eu vejo todo mundo falando sobre e não sei se estou fazendo algo errando plantando direto na terra.

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